Google Glass não morreu: gadget está nas mãos da Nest e pode ter nova versão

Por Rafael Romer | 09.05.2016 às 12:34
photo_camera Divulgação

O Google já deu diversas indicações de que o óculos de realidade aumentada Google Glass não deu tão certo quanto a empresa esperava. Após lançá-lo oficialmente no ano passado, a organização suspendeu as vendas online do gadget poucos meses depois e, em janeiro deste ano, também retirou a presença do dispositivo vestível de todas as redes sociais, deletando sem aviso prévio os perfis do produto no Google+, Instagram e Twitter.

Mas, aparentemente, a empresa ainda não desistiu do gadget. De acordo com Alberto Menoni, diretor de Inovação do Google X para América Latina, o dispositivo não morreu: após o sumiço da web, o projeto só passou da sua casa original dentro do Google X para o Nest Labs, empresa da Alphabet responsável por sistemas de automação doméstica e pelo termostato conectado Nest.

"O projeto não desapareceu, ele simplesmente foi retirado da mídia", explicou Menoni nesta segunda-feira (09), durante uma palestra em São Paulo. "Ele continua existindo, está dentro da estrutura da Nest. E o motivo é que eles têm melhores condições de trabalhar em um produto de consumo do que o Google X".

De acordo com o executivo, a expectativa é que com a mudança de casa, o produto seja mais bem trabalhado na Nest para uma versão de consumo do que no Google X, focado mais em inovação e hardware do que no mercado consumidor.

A afirmação de Menoni também indica que o Glass ainda pode ter futuro entre os consumidores finais. Até então, todas as expectativas apontavam que, após as decepção de vendas entre usuários finais, o futuro do produto estaria somente no segmento corporativo, por meio da chamada Enterprise Edition do Google Glass.

Como funciona o Google X

Apesar do sucesso de projetos como o carro autônomo e o Loon, os balões atmosféricos que distribuem internet, o Google Glass é um dos exemplos de que nem todos os projetos criados dentro do Google X dão certo.

Segundo Menoni, o X é um time que tem o objetivo de transformar o mundo por meio de inovação e novas tecnologias, mas lida não só com o senso de urgência de uma startup que quer levar produtos e serviços para o mercado, mas também com o alto risco de um laboratório de desenvolvimento de tecnologia.

"Alguns projetos fracassam, então nós temos incentivos e fazemos uma engenharia social para fracassar o mais rápido possível", comentou. "Se fracassarmos no início da vida de um projeto, nós economizamos uma pequena fortuna".

Para evitar projetos fadados ao fracasso, mas ao mesmo tempo manter o Google X em atividade, a empresa tem um ciclo de ideias complexo: desde a validação técnica até a avaliação de potencial de mercado, em média, apenas um projeto é aprovado para desenvolvimento a cada 40 ideias apresentados ao time.