Google admite que errou e quer 'fazer as pazes' com a Europa

Por Redação | 05 de Junho de 2015 às 13h25

O Google tem uma relação tensa com os países da Europa e já enfrenta uma série de reclamações e denúncias sobre questões que vão desde uma alegada evasão fiscal a relações antitruste, uma lei que se destina a punir práticas anticompetitivas que usam o poder de mercado para restringir a produção e aumentar preços, de modo a não atrair novos competidores ou eliminar a concorrência.

Depois de um ano recheado de contratempos em Bruxelas, Berlim e outros locais, em fevereiro de 2015, a empresa norte-americana resolveu unificar seus dois braços europeus que, até então, eram divididos em grupos geográficos – um para a Europa do Norte e Central, e outro para a Europa Oriental e do Sul. A unificação ficou sob o comando de um único executivo, Matt Brittin, que já dirigiu a operação da Europa do Norte e Central. Agora, Brittin ocupa o cargo de presidente de negócios e operações da EMEA (Europa, Oriente Médio e África).

Falando em sua primeira entrevista pública após assumir o cargo, o executivo disse que identificou uma falha de comunicação como parte da razão pela qual as relações na Europa se deterioraram, e ainda assumiu que o Google “nem sempre acertou”. "Nós simplesmente não temos pessoas na região capazes de ter algumas dessas conversas", disse. Ele afirmou ainda que a empresa entende que as pessoas na Europa não têm as mesmas atitudes e opiniões das pessoas nos Estados Unidos.

É claro que Brittin não concorda com as acusações de conduta antitruste. "Não há nenhuma evidência de que os consumidores foram prejudicados aqui", disse. "E, na verdade, não há evidência de que os queixosos foram prejudicados. Além disso, nunca houve um momento mais competitivo do que esse em termos de opções para os consumidores”, disse o executivo.

Apesar de todas as acusações, a posição do Google na Europa é curiosa. A empresa domina o mercado de busca – mais do que nos Estados Unidos, seu país de origem. Nos EUA, o Google detém uma parcela de 77% das buscas realizadas via desktops, enquanto na Europa esse número ultrapassa 91%. Mas apesar disso – ou talvez por isso mesmo – a empresa tornou-se alvo da ira das autoridades e empresas concorrentes.

A lista de acusações contra o Google na Europa inclui:

  • Evasão fiscal: Juntamente com outros gigantes do Vale Silício que atuam na Europa, o Google foi acusado de reduzir significativamente suas contas fiscais.
  • "Direito de ser esquecido": O "direito de ser esquecido" compreende toda a região da União Europeia e permite a cidadãos que peçam ao Google que retire informações indesejadas sobre eles de resultados de buscas do site.
  • Alegações antitruste: O Google domina o mercado de buscas europeu, e a Comissão Europeia resolveu fazer uma investigação para verificar se a concorrência era leal.
  • Direitos de publicação: Recentemente a Espanha tentou cobrar o Google por links para artigos de editoras espanholas. O Google se recusa a pagar por isso.
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