Google: 17 anos de sucessos, aquisições e muitos projetos

Por Douglas Ciriaco | 04 de Setembro de 2015 às 10h36

Em 4 de setembro de 1998 é constituída uma empresa que mudaria para sempre os rumos da internet e de vários outros setores direta ou indiretamente ligados a ela. Nesta data, o resultado do projeto de doutorado de Larry Page e Sergey Brin, ambos estudantes da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, começava a tomar corpo jurídico e a caminhar como uma companhia de fato.

Antes disso, em janeiro de 1996, a dupla dava início ao projeto que revolucionaria a internet e se tornaria sinônimo de pesquisa na web. Baseado no chamado PageRank, o Google apresentava um sistema inovador para a sua época, pois era a primeira vez que um motor de busca levava em conta uma série de fatores a fim de determinar a relevância de uma página.

A inovação trouxe mais inteligência e precisão para as buscas na web e foi inicialmente chamada de BackRub — o nome tinha origem no sistema de verificação de backlinks do recém-criado motor de busca. Depois, Brin e Page resolveram mudar o nome de sua ferramenta para Google, uma corruptela da palavra “googol”, termo utilizado para denominar o número 10 elevado à centésima potência (ou seja, o dígito 1 seguido de 100 zeros).

Primeiros passos

Inicialmente, a sede do Google era a garagem de uma amiga em Menlo Park, Califórnia, e o serviço, ainda chamado de BackRub, operou nos servidores da Universidade Stanford durante cerca de um ano. Em 15 de setembro de 1997, Page e Brin registram o domínio google.com e dão mais um passo em sua empreitada que mudaria as buscas na web para sempre.

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Cara do Google em 1997, antes de seu lançamento oficial. (Foto: Reprodução/Softpedia)

A movimentação dos jovens empreendedores começa a chamar a atenção do mercado, até que Andy Bechtolsheim, cofundador da Sun Microsystems, resolve investir no negócio. Em agosto de 1998, ele oferece à dupla um cheque de US$ 100 mil e é responsável pelo primeiro grande investimento realizado na companhia que, naquela altura, ainda não estava constituída juridicamente.

No início do mês seguinte, em 4 de setembro de 1998, Larry Page e Sergey Brin abrem a empresa Google Inc. e uma conta no banco em nome da companhia. No mesmo mês, os fundadores do serviço contratam o seu primeiro funcionário: Craig Silverstein, amigo de ambos e também estudante de Stanford. Ele permaneceria na gigante das buscas até 2008.

Ainda em 1998, a revista PC World reconheceria os esforços e o sucesso incipiente do Google ao colocar o site como o principal motor de busca da época. Além disso, a publicação incluiu o serviço em sua lista dos 100 melhores websites daquele ano.

Mudanças e investimentos

O crescimento da empresa a obrigou a deixar a garagem em Menlo Park e possibilitou também a primeira oferta pública a fim de captar recurso para financiar a sua expansão. Isso acontece em junho de 1999, ou seja, menos de um ano após a fundação da empresa, e arrecada US$ 25 milhões, o que permite a companhia planejar passos ainda maiores.

Em maio de 2000 o Google intensifica a sua internacionalização ao lançar versões traduzidas da ferramenta de busca em 10 idiomas diferentes: alemão, dinamarquês, espanhol, finlandês, francês, holandês, italiano, norueguês, português e sueco. Hoje, o site está disponível em mais de 150 línguas distintas.

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Logo do Google em setembro de 2008, quando o site é lançado oficialmente. (Foto: Divulgação/Google)

A expansão continua com a abertura do Google Nova York, seção da empresa em uma das mais populosas cidades do mundo. Isso acontece em setembro de 2000 e conta com apenas um funcionário — que opera a partir de uma loja de café. Atualmente, o escritório do Google em Nova York conta com mais de 4 mil funcionários.

Novos produtos

A crescente procura das pessoas pelo Google acaba criando a possibilidade de surgimento de diversos outros serviços. Os primeiros produtos além do buscador em si são o Google AdWords (outubro de 2000), a Google Toolbar (dezembro de 2000), Google Grupos (fevereiro de 2001) e o Google Imagens (julho de 2001).

Nos anos seguintes, a companhia investiu em ainda mais serviços da web. Alguns se tornaram clássicos e viraram referência no assunto, como são os casos do Google Notícias (2002), Google Livros (2003), Gmail (2004), Google Maps (2005) e Google Chrome (2008). Outros, porém, fizeram muito barulho, mas resultaram em fracassos que a companhia tenta esquecer, como Google Video (2005), Google Respostas (2006), Google Fast Flip (2009), Google Wave (2009) e Google Buzz (2010).

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Logo reestilizado usado entre 2010 e 2013. (Foto: Divulgação/Google)

Nesse meio tempo, diversos outros produtos para a web foram lançados e alguns se mantêm firmes até hoje — Google Acadêmico (2004) e Google Earth (2005) são ótimos exemplos. Outros, porém, experimentaram algum sucesso, mas foram perdendo usuários ao longo do tempo e saíram de cena conforme estavam a caminho de virar fonte de prejuízo, como o Orkut (2004), o Google Reader (2005) e o Google Notas (2008).

Novos mercados

A expansão mundial da companhia continua com tudo. Em setembro de 2004 é aberta a primeira sede da companhia na Ásia, em Hong Kong. No mês seguinte, é a vez da Índia ganhar escritórios da gigante da web, com sedes abertas em Bangalore e Hyderabad.

Ainda em 2004, a empresa mira o Velho Mundo e abre o seu primeiro escritório em território europeu. A sede funciona em Dublin, Irlanda. Em novembro de 2005 é a vez da América Latina ganhar atenção especial, com uma nova sede em São Paulo e outra na Cidade do México.

Uma vida de aquisições

Nem só de ideias geradas dentro de seus domínios vive o Google. É fato conhecido que muitas boas ideias e produtos inovadores que hoje estão sob os domínios da empresa foram criados por outros empreendedores. As aquisições serviam tanto para a criação de novos produtos quanto para a inclusão de novos recursos a produtos já existentes.

A primeira aquisição da Google aconteceu em fevereiro de 2001: o Deja.com, um famoso serviço de grupos de discussão fundado em 1995 e que reunia um arquivo com mais de 500 milhões de debates em seu histórico que acabou se transformando no Google Grupos. A transação, cujo valor não foi revelado, gerou certa polêmica especialmente entre parte dos usuários do Deja, que temiam por sua privacidade.

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Logo atual da companhia e do site, usado desde 1º de setembro de 2015. (Foto: Divulgação/Google)

Fundada em 1999, a Pyra Labs era a dona do mais popular serviço de blogs até então — o Blogger. Quatro anos após ser criada, a companhia caia nas garras do Google e, desde então, é a ferramenta de blog oficial da gigante da web. Em julho de 2004, o Google adquiria o Picasa para ser a sua plataforma oficial de fotos.

O Android, principal plataforma mobile do mundo, é outro serviço do Google que não foi gerado dentro da empresa. A gigante das buscas desembolsou a quantia de US$ 50 milhões para ter o sistema operacional em seu rol de produtos — a julgar pelo sucesso do software, o valor pago tornou-se irrisório.

Em outubro de 2006, o Google realizava a sua maior aquisição até aquele momento: pelo valor de US$ 1,6 bilhão, o ainda jovem e já bastante popular portal de vídeos YouTube passava a integrar a lista de serviços da companhia. Algum tempo depois, o Google aposentou a sua própria ferramenta de vídeos, o Google Vídeos.

Em agosto de 2011, porém, acontecia a compra de maior valor em todos estes 17 anos de história: a Motorola Mobility, uma das maiores e mais conhecidas fabricantes de celulares e smartphones do mundo, era adquirida por US$ 12,5 bilhões. Menos de dois anos depois, em janeiro de 2014, a companhia revenderia a marca por US$ 2,91 bilhões à chinesa Lenovo.

Segundo consta em um artigo da Wikipédia, que lista exclusivamente estas aquisições, até julho de 2015 o Google já adquiriu exatamente 182 empresas. A lista inclui serviços de diferentes ramos de atuação, incluindo uma série de companhias que atuam fora da web e dão conta das investidas da empresa no mundo real.

Alphabet

Em agosto deste ano, o Google anunciou uma reestruturação organizacional gigantesca, deixando de ser a cabeça de um ramo diversificado de produtos para ser uma companhia subsidiária da holding Alphabet. De acordo com o agora CEO da Alphabet, Larry Page, a mudança serve para dar mais clareza aos investimentos da companhia em diversos setores além da web, como carros inteligentes e tecnologias na área da saúde.

Google Alphabet

Atualmente, o Google e os seus produtos figuram ao lado de outras empresas dentro da Alphabet. São elas: Life Sciences (saúde), Calico (saúde), Google X (tecnologia), Google Fiber (tecnologia aplicada à transmissão de dados), Google Capital (investimentos), Google Ventures (investimentos) e Nest Labs (automóveis inteligentes).

Fontes: Google Company, Google Official Blog, Alphabet, Wikipédia