Gigantes da tecnologia se unem para criar codec de vídeo livre de royalties

Por Redação | 02 de Setembro de 2015 às 15h48

Algumas das maiores empresas do setor de tecnologia estão se unindo para aumentar a qualidade dos vídeos online. A chamada "Alliance for Open Media" conta com nomes de gigantes como Cisco, Microsoft, Google, Intel, Mozilla, Amazon e Netflix e visa criar uma nova tecnologia de compressão de vídeo até 2016 ou 2017, adequado para conteúdo comercial e não comercial.

A ideia das empresas é fazer uma melhor utilização das redes que distribuem vídeos para smartphones, computadores, dispositivos de streaming de mídia, consoles e TVs. Para o usuário comum, o fator compressão de vídeo pode passar batido, mas provavelmente todos se importam com o resultado final: download mais rápido e melhor qualidade, com mais detalhes, cores e contraste.

A nova aliança está indo contra um grupo chamado MPEG (Moving Picture Experts Group), cujos membros – empresas de telecomunicações, eletrônicos de consumo e indústria de TV a cabo – têm produzido muitos padrões de compressão amplamente utilizados.

Durante os últimos anos, o padrão para compressão de vídeo chamado H.264, baseado no MPEG-4 Part 10 ou AVC (Advanced Video Coding), tem se destacado na indústria. Desde navegadores até processadores de dispositivos móveis têm que oferecer suporte a ele, enquanto fabricantes de câmeras de vídeo e fabricantes de softwares também se veem restritos à escolha desse padrão devido às novas tecnologias.

O sucessor de H.264, chamado de H.265 ou HEVC, oferece melhor qualidade de vídeo, mas as taxas de licenciamento de patente e algumas incertezas do mercado têm dificultado a vida do HEVC. A MPEG e outros grupos determinam quais patentes são essenciais para apoiar sua tecnologia e então decidem os termos de licenciamento, um processo que torna a adoção dos padrões mais lenta.

A emissão de licenças de patentes e royalties assola a indústria de vídeo há anos. Enquanto o H.264 / AVC tem um licenciamento relativamente barato, parece que seu sucessor, H.265 / HEVC, vai ser consideravelmente mais caro. Organizações que derivam renda significativa de royalties de patentes e licenciamento não estavam satisfeitas com o modelo de baixo custo utilizado para o H.264, e por isso estão forçando a barra. A estrutura de royalties do HEVC pode ameaçar até mesmo a viabilidade de empresas comerciais de streaming, como a Netflix.

A nova aliança visa usar a abordagem predileta do Google e da Mozilla: o open source. A nova tecnologia de vídeo utilizará as maiores habilidades e influências de todas as organizações em seu benefício. O Google, por exemplo, tem o YouTube, o Chrome e o Android, que alimenta smartphones e tablets; já a Microsoft tem o sistema operacional mais famoso para PCs, o Windows, os navegadores Internet Explorer e Edge e o console Xbox; a Mozilla tem o Firefox e o sistema operacional Firefox OS para smartphones. A fabricante de chips Intel pode oferecer a certeza de que os vídeos terão melhor desempenho e menos gasto de bateria dos dispositivos na construção de seus processadores.

"A Aliança irá operar sob as regras de patentes do W3C e liberar o código sob uma licença Apache 2.0. Isso significa que todos os participantes da Aliança estão renunciando royalties tanto para a implementação do codec quanto para quaisquer patentes no próprio codec. Os membros iniciais são apenas o começo. Nós convidamos qualquer pessoa com interesse em vídeos, online ou offline, para se juntar a nós", diz a Mozilla em seu blog.

Com informações do CNET, ArsTechnica e Mozilla

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