Gartner: os oito passos para empresas enfrentarem o desafio do digital business

Por Rafael Romer | 19.10.2015 às 15:31
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A empresa de consultoria de negócios Gartner abriu a edição brasileira de seu Symposium/ITxpo nesta segunda-feira (19), em São Paulo, alertando empresas para dos novos desafios digitais que deverão ser enfrentados pelas organizações que querem se manter competitivas frente às transformações do ecossistema de negócios que devem acontecer nos próximos dois a três anos.

De acordo com a consultoria, o digital business representa o momento de negócios pós-nexus das forças, no qual as corporações já estão implementando iniciativas com redes sociais, mobilidade e investimento nuvem e analytics, mas agora precisam se preparar para as transformações da Internet das Coisas (IoT).

"É desse encontro do pós-nexus com a Internet das Coisas que se deriva a verdadeira definição dos negócios digitais, que precisa lidar com pessoas, negócios e a entidade das coisas", defendeu o vice-presidente da pesquisa do Gartner, Álvaro Melo, durante a abertura do evento. "As organizações que não consideram a IoT fazem somente o tradicional e-business e não se aproveitarão das possibilidade do digital business".

De acordo com a consultoria, o digital business exige que empresas vão além de seus negócios tradicionais, olhando menos para dentro de suas organizações e mais para fora, observando a direção que a empresa pretende estar nos próximos anos e entendendo quais os novos players que poderão entrar na indústria. Essas perguntas também devem ser feitas com frequência dentro das companhias e não apenas em momentos pontuais, como durante o planejamento de estratégia e orçamento.

O Gartner destaca alguns exemplos de organizações que já estão indo além de seus negócios tradicionais, aproveitando as oportunidades do digital business. A empresa de seguros Allianz, por exemplo, através de uma parceria com a Deutsche Telekom agora oferece soluções de automação de segurança para residências, visando obter dados de inteligência para permitir descontos no seguro para determinados consumidores. Já a Amazon passou a oferecer um serviço de aluguel de cabras para aparar a grama de jardins domésticos.

"É um modelo mental que vai para fora da organização e agora quer entrar dentro da sua residência", comentou Melo. "O importante é que as empresas estão pensando como mimetizar startups e serem mais inovadoras".

Para adaptar organizações ao novo modelo de digital business, a consultoria indica oito competências que empresas devem possuir para não ficarem para trás. No centro da estratégia, a ideia principal é a da fluidez: hoje, toda organização precisa agir com fluidez de processos para se transformar e adaptar as novas realidades da forma mais ágil possível.

A primeira das competências é a colaboração com clientes, que usa elementos das redes sociais para engajar consumidores com as empresa e possibilitar negócios. Um exemplo desse engajamento é o banco digital alemão Fidor, 100% baseado na internet e que possibilita ganhos e serviços diferentes aos clientes que trouxerem amigos para ele.

A segunda habilidade é a chamada combinação dinâmica, baseada em observar as possibilidades do ecossistema digital para transformar seu business tradicional. Um dos casos de destaque é a parceria da Amazon com a DHL e Mercedez, que agora permitem fazer entregas de produtos no porta malas do carro do cliente, que passa a ser um endereço de entrega. "A maior parte das oportunidades estão nas inovações incrementais, muito mais que nas inovações disruptivas", explicou Melo.

O terceiro ponto é obter uma excelência no gerenciamento de informações, que consiste em atuar de forma pró-ativa na coleta de dados de sensores para criar análises preditivas e prescritivas para evitar problemas futuros. Essa competência é especialmente importante para empresas latino-americanas, que na avaliação do executivos ainda têm problemas para entender como utilizar essa quantidade de dados disponíveis.

Também é importante manter os negócios da empresa abertos para possibilidades de investimentos que fujam do negócio tradicional, mas que tenham potencial para se transformar em outras oportunidades de negócios no futuro. Dois exemplos são o Banco Itaú e a Porto Seguro, que recentemente anunciaram investimentos para incubar startups através dos projetos Cubo e Oxigênio, respectivamente.

A quinta competência indicada é a destreza para lidar com questões de segurança e privacidade de dados, algo que se tornará cada vez mais importante não só para consumidores, mas também para habilitar novos negócios, convertendo os ativos e informações de forma ampla e longe de discussões só técnicas.

Para essas transformações, a consultoria aponta ainda a importância de se manter uma arquitetura empresarial fluida, capaz de se transformar internamente para suportar as mudanças causadas pelo digital business sem a letargia de organizações tradicionais. Um exemplo destacado pelo Gartner foi a Serasa Experian, que passou a incluir serviços direto para consumidores finais, através da mediação de renegociação de suas dividas com terceiros.

Essa mudança interna se liga ainda ao sétimo paradigma, que é "abraçar as grandes mudanças" ao invés de resistir a elas, já que a consultoria indica que as companhias que não discutirem os paradigmas existentes podem ficar para trás. Um caso brasileiro destacado pela consultoria é do Tribunal de Contas da União (TCU), que está abraçando as mudanças e pretende implementar o uso de analytics para conseguir analisar dados e antecipar problemas em editais públicos, para otimizar a análise de documentos.

Por fim, é importante que todas essas competências sejam aliadas à transformação interna da empresa em um ambiente digital, propício para criar uma cultura de mudança entre os funcionários da empresa.

"No final tudo se volta paras as pessoas; de que adianta ter uma organização que discute mobile, interação com mídias sociais, se nosso ambiente interno para trabalhadores continua focado na tela de ERP e na interface tradicional?", pontuou o analista. "O que isso significa em termo de governança de TI e ferramentas é que o ecossistema digital passa a permear a organização internamente".