Fabricantes de PCs ainda podem lucrar mesmo com mercado em queda, afirma Gartner

Por Redação | 24 de Maio de 2016 às 15h32
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Estudos recentes mostram que as vendas de PCs em todo o mundo não param de cair mês após mês. Mesmo assim, isso não significa que as fabricantes estão destinadas a um futuro sombrio. Pelo contrário: ainda existem várias oportunidades de lucros para as empresas.

Essa é a constatação de uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (24) pela Gartner. De acordo com a consultoria, muitas fabricantes intermediárias de computadores enfrentam dificuldades, principalmente porque muitos consumidores não estão mais atualizando suas máquinas com frequência.

O primeiro trimestre deste ano registrou uma das taxas de crescimento mais baixas da história de venda dos PCs. Nos últimos cinco anos, as vendas globais de PCs tradicionais (desktop e notebooks) caíram de 343 milhões de unidades em 2012 para cerca de 232 milhões de unidades em 2016. Em termos de receita, o mercado global de computadores tinha em 2012 um contrato de US$ 219 milhões. Para 2016, a expectativa é de US$ 137 milhões.

Os negócios regionais também estão mudando. O preço baixo do petróleo e as incertezas políticas levam a um agravamento da economia no Brasil e na Rússia, fazendo com que estes países deixem de ser impulsionadores de crescimento. Em termos de volume, os Estados Unidos, a China, a Alemanha, o Reino Unido e o Japão permanecem como os cinco primeiros do ranking, mas seus consumidores também diminuíram o número de computadores por domicílio.

"As fabricantes estão reduzindo severamente sua presença nacional e regional ou deixando o mercado de computadores por completo. Acer, Fujitsu, Samsung, Sony e Toshiba perderam 10,5% de participação no mercado desde 2011. No primeiro trimestre de 2016, Dell, HP Inc. e Lenovo ganharam participação, mas registram declínio ano a ano", disse Meike Escherich, analista de pesquisa do Gartner.

Segundo Tracy Tsai, vice-presidente de pesquisa da Gartner, apesar do cenário tenebroso, os PCs ainda são capazes de atuar em áreas nas quais os smartphones e tablets não podem, já que oferecem experiências baseadas em telas maiores, teclados ergonômicos, maior capacidade de armazenamento e processadores mais potentes. "Com um mercado saturado e com a queda nos ASPs (do inglês “average selling price” ou preço médio de venda), os fabricantes de computadores devem focar na otimização da rentabilidade para sustentar o crescimento", destaca.

Apesar do declínio do mercado de computadores, o segmento ultraportátil premium é o único com a certeza de alcançar um crescimento de receita este ano. Estima-se que o mercado chegue a US$ 34,5 milhões, um aumento de 16% em relação a 2015. Em 2019, a Gartner prevê que a indústria de modelos ultraportáteis premium se tornará a maior do mercado de PCs em termos de receita, com US$ 57,6 milhões.

O segmento continuará a crescer devido à demanda de substituição de computadores tradicionais e à experiência de toque que o mercado dois-em-um (tablets e híbridos) fornece. Há uma expectativa de queda lenta para o ASP do segmento de ultraportáteis premium podendo chegar a US$ 600 em longo prazo. Esta situação, junto com os inovadores produtos dois-em-um, irá motivar os usuários não somente a substituírem seus computadores, mas também a trocarem por um dispositivo com mais funcionalidade e flexibilidade.

"O mercado ultraportátil premium também é o mais lucrativo em comparação com o de entrada, em que computadores custam até US$ 500 e têm uma margem bruta de 5%. Esse percentual pode alcançar até 25% para PCs ultraportáteis premium superiores a US$ 1.000", explica Tracy.

Mudanças de foco

Embora o mercado de computadores para jogos seja pequeno, com somente alguns milhões de unidades vendidas por ano, o ASP de um modelo desse tipo é significativamente maior do que o de um PC comum. Seu valor médio de venda varia de US$ 850 — opção de entrada de notebook para jogos — a US$ 1.500 para uma versão premium. "Os modelos de ponta do segmento de computadores fabricados para jogos devem ser o foco dos fabricantes, pois, apesar da alta competitividade, apresentam maior rentabilidade em longo prazo", afirma Tracy.

Outro ponto ressaltado pela Gartner é o campo da Internet das Coisas. Para a especialista, as empresas de PC também precisam olhar para esse mercado e identificar as áreas que possuem maior potencial para lucro. "As fabricantes podem detectar com sensores se a bateria está ficando muito quente ou se o HD está sendo sobrecarregado e enviar um alerta ao cliente para verificarem o computador antes que ele desligue. Isso pouparia custos de operação dos produtores e também ajudaria os usuários com um serviço melhor", conclui.

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