G-Lab leva estudantes do MIT a startup brasileira

Por Stephanie Kohn | 03 de Maio de 2017 às 09h00
photo_camera Sambatech

Desde os anos 2000, o G-Lab (Laboratório Global de Empreendedorismo) dá a oportunidade para estudantes de MBA do Massachusetts Institute of Technology (MIT) a trabalhar com executivos para solucionar problemas do mundo real. Enquanto as empresas iniciantes ganham novas visões para o negócio, os alunos podem aplicar conhecimentos adquiridos em aula. Precificação, expansão de mercado e benchmarks são alguns dos temas discutidos e que acabam ganhando novas estratégias com a ajuda dos pupilos.

O G-Lab já atuou em 375 startups em mais de 50 países, incluindo o Brasil. Por aqui, a Sambatech, idealizadora do Kast, app de comunicação interna focado em áudio e vídeo, foi uma das startups a importar discípulos do MIT. O time que comanda o aplicativo recebeu quatro alunos em sua sede, em Belo Horizonte, Minas Gerais, no início do ano. Bion West, Sirin Bulakul, Joshua Chen e David Peterson ficaram três semanas alocados no Kast finalizando o lançamento do app.

“Nos primeiros três meses do projeto, Bion e os outros estudantes trabalharam a distância, direto de Massachusetts (EUA), entrevistando mais de 40 profissionais do mercado norte-americano para entender as lacunas da comunicação interna corporativa e conhecer as principais ferramentas utilizadas. Eles também identificaram oportunidades e dores do mercado para o Kast resolver”, contou Michael, Gerente Geral do Kast – Sambatech.

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O “casamento” entre os alunos e a Sambatech levou em consideração as capacidades, habilidades, experiências, expectativas e preferências dos estudantes. Bion lembra que nenhum dos escolhidos conhecia a América do Sul e por isso gostaram de terem sido elegidos para trabalhar em uma empresa brasileira. Outro ponto positivo, de acordo com o estudante, foi a relação bem-sucedida, de mais de 9 anos, entre o G-Lab e a Sambatech. “Outras equipes que passaram pela empresa tiveram ótimas experiências com o CEO Gustavo Caetano. Acredito que fomos muito sortudos”, revelou o aluno, que chegou até a experimentar o churrasco brasileiro na casa do diretor executivo.

Os alunos escolhidos para trabalhar no Kast já tinham atuado em organizações como Nike, Microsoft, U.S Navy e outras. Isso, segundo Michael, ajudou muito no desenvolvimento do produto e na troca de ideias. “Além do próprio conhecimento de mercado, eles tinham contatos influentes que puderam colaborar com feedbacks relevantes sobre o produto. Conseguimos enxergar o caminho a seguir e como agregar valor no mercado de comunicação”, comentou o Gerente Geral do app.

Para Bion, a exposição a um mercado diferente foi benéfico, assim como pensar em estratégias para um mercado com características até então desconhecidas. Ele não sabia, por exemplo, que o Brasil concentra mais de 50% do PIB do continente. “Descobri que algumas empresas hesitam em expandir suas operações para o resto da América do Sul, mas, teoricamente, uma companhia que domina o mercado brasileiro está se saindo muito bem em relação aos demais países, por isso só pode esperar crescimento em seus negócios. Acho que a única barreira é o idioma (português versus espanhol).”

O estudante acrescenta que umas das maiores vantagens do G-Lab é que ambos os lados ganham sem precisar gastar nenhum centavo. “Eu definitivamente recomendo aos meus colegas esta experiência e encorajo startups do mundo inteiro, especialmente do Brasil, a se inscreverem para serem anfitriões de alunos do MIT”, finaliza Bion.

O Kast segue o modelo Freemium em que o download é gratuito assim como o uso das principais ferramentas. Mas os usuários pagam para gerenciar conteúdo e canais. Em dezembro de 2016, depois do lançamento da segunda versão, o app angariou mais de três mil usuários e 700 organizações cadastradas. “Atualmente estamos trabalhando com cinco empresas principais na evolução do produto e desenhando o uso da massa de funcionários de outras dez companhias”, finaliza Michael.

Veja aqui um vídeo sobre o projeto da Kast e os alunos do MIT. Para as empresas interessadas em participar do projeto, mais informações podem ser encontradas aqui.

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