Fusão entre Portugal Telecom e Oi não terá intervenção do governo de Portugal

Por Redação | 10.10.2014 às 15:15 - atualizado em 01.08.2017 às 19:31
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O primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, afirmou que o governo português de centro-direita não irá realizar nenhuma intervenção no processo de fusão entre a empresa brasileira Oi e a Portugal Telecom. O motivo afirmado pelo governante é que este é um assunto de questão estrita entre empresas privadas, algo que não cabe ao governo influenciar, de acordo com a Reuters.

No entanto, as incertezas sobre o acordo entre Oi e Portugal Telecom aumentaram depois que o presidente-executivo da empresa brasileira, Zeinal Bava, anunciou a sua saída. Bava era considerado o arquiteto de toda a fusão. Os analistas, assim, têm alertado para a real concretização deste acordo entre as duas companhias de telecomunicações.

Bayard Gontijo, CEO da PT, declarou que a fusão das empresas não irá alterar o rumo. Ele ainda confirmou que mesmo que a empresa tenha papel de protagonista no processo de consolidação do mercado brasileiro de telecomunicações, ela talvez tenha que "passar por venda de ativos da Oi e dos ativos que vieram junto", relacionando os ativos da Portugal Telecom. Em sua declaração à imprensa, o executivo falou sobre a contratação do BTG Pactual para especialização de ações no mercado.

O atual governo português, por meio de Pedro Coelho, lembrou que foi um governo socialista que decidiu a fusão da Portugal Telecom com a Oi. Por não ser acionista da Portugal Telecom, o governo português tratou de confirmar que não irá intervir no processo. "O governo não tem nenhuma intervenção nesse processo, como não tem em outras empresas, e não se pode querer responsabilizar o governo pelas decisões que as empresas privadas tomam", disse o primeiro-ministro.

Em julho de 2011, o Estado português deixou de ter uma "golden-share" na Portugal Telecom, como parte das exigências da 'troika' do resgate do país, que ainda estava no início do processo de recuperação de uma grave crise financeira. Essa abdicação da "golden-share" da PT foi executada no mandato do atual governo de centro-direita. O primeiro-ministro tratou de frisar que o Novo Banco, que ficou com os ativos não-tóxicos do antigo Banco Espírito Santo, é que possui 10% do capital da Portugal Telecom.

Pedro Coelho ainda salientou que o dono do Novo Banco é o Fundo de Resolução, que representa os bancos do sistema financeiro português, algo que não está relacionado diretamente com o Estado. "Qualquer decisão que o Novo Banco tenha tomado sobre a questão da fusão da Portugal Telecom com a Oi não é reportável ao governo. O governo não é acionista do Novo Banco", explicou.

Nesta sexta-feira (10), as ações da Portugal Telecom chegaram a cair 13%, chegando a um auge negativo histórico, impulsionado pela forte queda da Oi na quinta-feira.