Fundador da Huawei defende reformulação da empresa para sobreviver no mercado

Por Rafael Rodrigues da Silva | 13 de Agosto de 2019 às 18h26
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Como resultado da perseguição que vem sofrendo do governo dos Estados Unidos, a Huawei deverá passar por uma enorme reformulação de seus negócios. De acordo com um comunicado interno assinado pelo próprio fundador da companhia, Ren Zhengfei, a empresa deverá passar por uma enorme reformulação que irá durar entre três e cinco anos, no intuito de criar um “exército de ferro” que irá sobreviver à pressão americana e proteger a liderança da empresa na nova geração de conexão à internet para celulares.

O comunicado acabou chegando às mãos da Bloomberg, que conseguiu confirmar com uma porta-voz da Huawei que se tratava mesmo de um documento real. Datada do dia 2 de agosto, a mensagem de Ren fala sobre fechar divisões da empresa que são desnecessárias ou redundantes, como forma de diminuir os custos de operação para que as decisões políticas dos Estados Unidos não influenciassem nos lucros.

Desde o ano passado, a Huawei tem sido perseguida pelo governo dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump acusando a empresa de espionar as comunicações do país para a China. E desde maio, a empresa se encontra em uma “lista negra” do país, o que a impede de fechar negócios com qualquer companhia americana, incluindo itens como hardware (como os chips da Qualcomm que usa em seus smartphones) e software (como o uso do sistema operacional Android em seus aparelhos).

Mas ainda que Ren fale de um “exército de ferro” na mensagem, isso não quer dizer que a empresa está pronta para desenvolver um exército de robôs para bater de frente com os Estados Unidos. Antigo engenheiro do Exército da Libertação, o fundador da Huawei adora usar termos militares em suas mensagens. Além de já ter falado sobre “retirada estratégica de tropas” meses atrás quando perguntado sobre como a entrada da empresa na lista negra poderia afetar os cerca de 190 mil funcionários que ela possui em todo o mundo, a mensagem do dia 2 também fala sobre “duas balas que atingiram os tanques de combustível” da empresa — provavelmente as dificuldades que ela tem passado para conseguir substituir com sucesso os chips da Qualcomm e o sistema Android. Assim, o "exército de ferro" citado pelo fundador da Huawei, é em alusão a uma malha sólida de torres de 5G, setor no qual a Huawei é líder mundial e que é a principal defesa da empresa para sobreviver aos danos que o governo Trump tem causado à sua divisão de smartphones.

Mesmo com todos os problemas, a mensagem termina com um tom otimista, citando a vantagem competitiva que a empresa possui no mercado de 5G — que até 2026 deverá valer mais de US$ 1 trilhão. Ren usa o domínio da empresa nesse setor como uma motivação para todos, lembrando que manter esse domínio é importante, pois irá garantir que a Huawei faça parte do crescimento de todas as principais economias do mundo nos próximos anos.

E nesse sentido, a recusa dos Estados Unidos em tratar com a Huawei pode ser um tiro no pé: por conta da empresa chinesa possuir os melhores equipamentos para a montagem de infraestrutura 5G, a recusa em utilizá-los fará com que as redes do país tenham uma qualidade inferior, o que deverá deixá-lo para trás no crescente setor de inteligência artificial e correndo grande risco de finalmente ser ultrapassado pela China como a maior economia do mundo por conta disso.

Fonte: Bloomberg

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