Funcionários de fornecedora da Apple fazem protesto contra falta de pagamento

Por Redação | 20 de Outubro de 2017 às 09h26
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Um protesto de funcionários atingiu uma unidade da Jabil, uma das fornecedoras chinesas de componentes para o iPhone. De acordo com informações da organização China Labor Watch, centenas de empregados teriam se manifestado contra o atraso no pagamento de bônus e mudanças arbitrárias de postos de trabalho, impedindo a entrada de outros colaboradores na unidade durante algumas horas da noite desta quinta-feira (20).

As informações da organização não trazem números específicos, mas, de acordo com a Jabil, ele seria bem menor que o apontado originalmente. De acordo com a fornecedora, um protesto efetivamente aconteceu em sua fábrica na cidade de Wuxi, mas envolveu apenas de 20 a 40 colaboradores, enquanto o restante dos presentes na cena era formado por empregados que tentavam entrar para o turno noturno de trabalho e eram impedidos por quem estava se manifestando.

Relatos de presentes no local, por outro lado, podem revelar um pouco mais. De acordo com um funcionário identificado apenas como Zhang, por medo de retaliações, 600 pessoas, principalmente recém-contratados, se manifestaram diante da unidade pela ausência de pagamento de bônus. O valor devido seria de cerca de US$ 1 mil, prometido durante a contratação para funcionários que apresentassem bom desempenho durante os 45 dias iniciais de serviço e que permanecessem com a empresa depois disso.

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Os valores, aqui, também divergem de acordo com o cargo. Um segurança da fábrica, Tu Changli, disse que a promessa era de bônus no valor de pouco mais de US$ 300 pelos primeiros dois meses de serviço, indicando a presença, na manifestação, de representantes de diversos setores da unidade da Jabil.

Imagens publicadas na internet mostram o momento em que dois guardas tentam remover, à força, um dos funcionários que protestava diante da unidade da empresa. O vídeo também serve para inferir quantas pessoas estavam no local, apesar de ser difícil diferenciar entre aqueles que estavam se manifestando, colaboradores que tiveram sua entrada impedida e curiosos.

Em comunicado enviado à China Labor Watch, a Apple disse ter iniciado uma investigação para localizar a raiz do problema e garantir que os funcionários tenham acesso ao pagamento adequado imediatamente. A Jabil também se pronunciou publicamente por meio de sua porta-voz, Lydia Huang, que disse esperar que o grupo de manifestantes apresente provas de que os bônus não têm sido pagos. De acordo com ela, a empresa está comprometida em compensar seus colaboradores corretamente e no prazo certo e que continuará a fazer isso nesse caso.

Ainda, a Maçã teria solicitado à Jabil a realização de verificações completas em seu quadro de funcionários, de forma a localizar problemas no pagamento de salários e bônus. Se localizadas falhas desse tipo, a ordem é para que o acerto seja feito de forma imediata, com a criação de um plano de ação para lidar com situações desse tipo.

A empresa também lembrou os resultados de uma auditoria que é realizada anualmente em suas fornecedoras, que em sua última edição não indicou problemas na unidade localizada em Wuxi, que emprega cerca de 30 mil pessoas. Mais uma vez, as informações são discordantes, já que os relatos de funcionários indicam não apenas a ausência de pagamento, mas também altos índices de estresse e abuso.

Changli, um dos representantes dos manifestantes que falou mais ativamente sobre o caso, citou dois casos recentes que mostrariam que a companhia não está nada bem. De acordo com ele, um funcionário ameaçou se jogar do telhado da unidade em meados de setembro, o que motivou um aumento na segurança e levou, dias depois, a casos de violência, como um em que um guarda bateu tão forte em um funcionário que chegou a quebrar o cassetete de madeira que usava.

Em resposta, a Apple disse que os incidentes estão relacionados a brigas pessoais entre colaboradores, guardas e outros membros da gerência da companhia, e não com a falta de pagamento ou condições ruins de trabalho. Apesar disso, a Maçã disse estar investindo, junto com sua parceira, em treinamento para a equipe de segurança, de forma que eles trabalhem para apaziguar situações, em vez de torná-las mais graves. A Jabil não comentou as alegações.

Reincidência

Essa não é a primeira vez que problemas surgem na unidade da Jabil em Wuxi, uma das envolvidas diretamente na fabricação dos atuais iPhones 8. Em 2013, durante o pico da expectativa por uma versão mais barata do aparelho, o iPhone 5c, surgiram relatos de que funcionários estariam sendo submetidos a jornadas de trabalho com mais de 12 horas de forma a atender à demanda.

Os turnos aconteceriam seis dias por semana, com um único intervalo de apenas 30 minutos para descanso. O fluxo de contratações em antecipação à chegada de um novo modelo também teria levado a funcionários trabalhando sem treinamento e proteção adequada, principalmente nos setores que envolvem químicos, lasers e barulhos mais altos.

A denúncia, na época, também foi da China Labor Watch. A Jabil negou as acusações, principalmente aquelas relacionadas à ausência de equipamentos de proteção, mas admitiu que existem falhas em seu processo de mitigação de riscos. A Apple abriu investigação e prometeu trabalhar com a parceira para garantir o cumprimento de normas internas, além das determinadas pelo governo local, para o trabalho.

Fonte: CNBC

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