Foco do Google é na realidade aumentada e não na virtual

Por Redação | 06 de Abril de 2016 às 08h13

As últimas duas semanas marcaram o primeiro passo da realidade virtual (RV) rumo às nossas casas com a chegada do Oculus Rift e do HTC Vive. Sem dúvida, é um mercado promissor e que deve gerar US$ 80 bilhões até 2025. Mas algumas empresas estão indo na contramão desse conceito e apostando numa tecnologia de nome parecido: a realidade aumentada (RA).

Uma dessas companhias é o Google, que, segundo rumores, planeja investir mais na realidade aumentada do que na virtual. Até aí, nenhuma novidade, já que a gigante de Mountain View se aventurou nessa indústria quando lançou o Google Glass. No entanto, você deve se lembrar que o dispositivo, embora tenha chamado atenção logo quando foi anunciado em 2012, se tornou um dos maiores fracassos da empresa, que descontinuou o acessório no ano passado.

Mesmo assim, o Google segue firme em seus planos a longo prazo de inserir a tecnologia de realidade aumentada em seus produtos. Entre eles está o projeto Tango, uma ideia apresentada em fevereiro de 2014 que promete trazer esse conceito de RA para o nosso dia a dia através dos tablets e smartphones.

Funciona assim: o aparelho tem como principal característica o mapeamento 3D de ambientes. Para isso, ele vem equipado com duas câmeras com sensor de profundidade, responsáveis pelo rastreamento de movimento dos objetos. Uma das câmeras possui resolução de 4 megapixels, sendo que cada um desses pixels vem com dois micrômetros, que garantem alta sensibilidade à luz e velocidades. Enquanto isso, a segunda câmera conta com uma lente especial com ângulo de 170º focada em rastrear movimentos de maneira muito mais ampla.

Até o momento, o Google já confirmou o desenvolvimento de um tablet e um smartphone da linha Tango, mas ambos só podem ser adquiridos por desenvolvedores e profissionais com nível avançado de conhecimento. Como já se passaram dois anos desde que o projeto foi revelado, é provável que o Google estude a possibilidade de finalmente trazê-lo para o mercado consumidor.

Por que a realidade aumentada?

Faz sentido a empresa querer investir mais na realidade aumentada do que na virtual. Matt Rosoff, do Business Insider, comenta que a RV tem um foco muito maior nos PCs e consoles de videogame, e mesmo que essa indústria prometa grandes lucros, não se pode compará-la à revolução tecnológica provocada pelos telefones inteligentes e conectados à internet.

Em contrapartida, a RA apresenta um potencial maior porque interage diretamente com o mundo real ao inserir nesse contexto elementos digitais - no caso, os hologramas. Por enquanto, são poucos os dispositivos que oferecem esse recurso; o mais famoso hoje é o HoloLens, da Microsoft. Contudo, o Tango pode popularizar a tecnologia, já que estaria inclusa nos smartphones que, além de menores, são mais baratos que o headset da fabricante do Windows.

Há três meses, o Google anunciou uma parceria com a Lenovo para a fabricação de aparelhos do Projeto Tango. Logo, talvez seja uma questão de tempo até que os primeiros celulares voltados para os usuários cheguem ao mercado. Além disso, investir na realidade aumentada não vai diminuir os esforços do Google em aumentar sua participação no campo da realidade virtual, uma vez que a companhia já possui o Cardboard e uma divisão dedicada para aprimorar o desenvolvimento do gadget.

Fontes: The Information, Business Insider, 9to5Google

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