Foco, agilidade e eficiência: a estratégia por trás da separação da HP

Por Rafael Romer | 03 de Junho de 2015 às 08h02

De Las Vegas, Nevada

Com pouco mais de 75 anos de existência, a gigante norte-americana de tecnologia HP passa por um momento singular de sua história: no próximo dia 1º de novembro, a empresa finalmente oficializa sua separação em duas companhias. A primeira, HP Inc, ficará responsável pelos produtos mais próximos do consumidor final, como impressão e computação; já a Hewlett-Packard Enterprise focará nas soluções e ofertas corporativas da organização, como cloud, servidores, serviços, redes e software.

A divisão não é exatamente novidade dentro da empresa. Executivos da HP indicam que a separação entre consumer e enterprise já tem sido tocada extra-oficialmente há alguns meses dentro da companhia, que tem times focados em suas próprias unidades de negócios que muitas vezes não têm sequer razões para se comunicarem.

Já entre 2010 e 2011, o então CEO da companhia, Léo Apotheker, foi o primeiro a falar sobre a possibilidade de organizar a atuação da HP em duas frentes independentes. Na ocasião, no entanto, a empresa passava por um período de reestruturação e recuperação, um momento pouco apropriado para um passo tão importante. Mas agora, com a chegada da atual CEO da empresa, Meg Whitman, a companhia retomou seus negócios e a ideia foi posta em prática.

A mensagem da separação é clara: mais foco, agilidade e eficiência para permitir à HP capacidade de atuar em sintonia com clientes e enfrentar novos desafios de TI. Meg cita como exemplo companhias como Airbnb, Uber e Vimeo como representantes de um novo modelo de TI integrado ao negócio, capaz de gerar disrupções em indústrias tradicionais em um curto espaço de tempo. Com a separação, a HP busca, agora, ter também maior capacidade de fornecer suas soluções e serviços para seus parceiros e clientes, que agora possuem cada vez mais necessidade de ou enfrentar ou criar seus próprios modelos disruptivos no mercado de tecnologia.

"Nós nos perguntamos como colocar a HP na melhor posição não só para sobreviver, mas para prosperar. Não só responder às mudanças do mercado, mas defini-las", indicou Whitman durante o principal evento global da companhia, o HP Discover 2015, que começou nesta terça-feira (02), em Las Vegas. "Nós seremos ainda mais inovadores e competitivos e esperamos ficar ainda mais conectados com nossos clientes".

HP Discover

Operações da Hewlett Packard Enterprise começam oficialmente em novembro, na virada do ano fiscal da HP (foto: Reprodução/HP-Facebook)

E em um mercado que passa globalmente por quedas em vendas de PCs, o foco principal da estratégia de separação da HP deve recair sobre a Hewlett-Packard Enterprise, a protagonista da fala da presidente durante sua apresentação. Whitman, inclusive, manterá sua posição de CEO da Hewlett-Packard Enterprise, enquanto ocupará o cargo de chairman dentro da HP Inc - que será comandada por Dion Weisler, atual vice-presidente do negócio de impressão e sistemas pessoais da HP.

A orientação da nova empresa já começa na própria adoção de um logo redesenhado, quase minimalista, para a divisão corporativa: apenas um retângulo verde-água, seguido pelo nome da companhia. "A simplicidade é simbólica, isto é o que a Hewlett-Packard Enterprise fará: se tornar mais simples para que parceiros e clientes façam negócios conosco. Ser precisos na engenharia e inovação", explicou Whitman. Até a escolha da cor verde-água é proposital: a ideia é passar a mensagem de oportunidade e sustentabilidade. "Nós queremos que a Hewlett-Packard Enterprise represente o legado rico da HP e o futuro no qual negócios e TI realmente sejam inseparáveis".

Internamente, a empresa também deverá se organizar ao redor de quatro áreas principais de transformação, que representam a expectativa da empresa sobre a direção para qual o mercado de tecnologia está caminhando: a transformação para infraestruturas híbridas, a proteção de ativos digitais, organização de companhias guiadas por dados e produtividade. Através da separação, a HP ambiciona estar no centro da integração entre software, hardware e tecnologia para entregar suas soluções para parceiros e alavancar transformações movidas por clientes.

"Nós estamos orgulhosos de toda inovação que entregamos, mas acreditamos que há coisas maiores à frente para a HP", afirmou a executiva. "Nosso ponto de partida é a economia de ideias e como isso está redefinindo a natureza da TI e dos negócios. São soluções que ajudam nossos clientes a passar para uma nova forma ne negócios através das quatro áreas de transformação".

* O repórter viajou à Las Vegas a convite da HP

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