Facebook e Google se unem a outras tech em processo contra medidas de Trump

Por Redação | 06.02.2017 às 08:30 - atualizado em 06.02.2017 às 08:43

Não tem nem um mês que Donald Trump chegou à Casa Branca e já está dando o que falar -- mas não de uma maneira boa. Há duas semanas o presidente norte-americano baniu temporariamente a entrada de imigrantes e turistas de 7 países onde a população é majoritariamente muçulmana.

O decreto felizmente foi bloqueado pela Justiça dos EUA na última sexta-feira (03), mas não impediu que cerca de 100 empresas norte-americanas se unissem contra a medida alegando que o banimento inflige "prejuízos substanciais" a elas.

Para dar força a esse posicionamento e se fazerem ouvir, Google, Facebook, Microsoft, Apple, Airbnb, Intel, eBay, Zynga e outras empresas tech assinaram neste domingo (05) um processo contra a administração do presidente encaminhado à Corte de Apelações dos Estados Unidos. Nele, as empresas argumentam:

"Imigrantes ou suas crianças fundaram mais de 200 empresas na lista Fortune 500, incluindo Apple, Kraft, Ford, General Electric, AT&T, Google, McDonald's, Boeing e Disney. Coletivamente, esses nomes geram receitas anuais de US$ 4,2 trilhões e empregam milhões de americanos. Entre 2006 e 2010, imigrantes abriram 28% de todos os comércios dos Estados Unidos".

No processo, as signatárias alertam para o fato de o banimento impedir que sejam descobertos novos talentos e tornar mais difícil competir no mercado internacional. Além disso, as empresas não acreditam no argumento de que impedir a entrada de imigrantes vai gerar novos empregos, mas sim no contrário:

"Imigrantes não roubam empregos dos cidadãos dos Estados Unidos -- eles criam. Desta forma, a imigração expande o poder de trabalho dos EUA e encoraja a criação de mais empresas, fazendo com que empreendedores da Apple a criadores de maçã consigam achar empregados que eles precisam na América".

O processo ainda aponta dois motivos que tornam a ideia de Trump de barrar imigrantes e turistas estrangeiros de entrar nos Estados Unidos inconstitucional. São eles:

  1. Entra em conflito com as leis antirraciscmo e discriminação, passadas em 1965;
  2. Falta do requerimento proposto pelo Ato Procedural de Administração, onde agências do governo precisam emitir uma nota antes de colocarem novas regras em prática.

As primeiras ações de Trump como presidente também têm desagradado a executivos do mundo tech. Talvez um dos casos mais emblemáticos até aqui seja o de Travis Kalanick. CEO do Uber, Kalanick foi convidado para fazer parte do conselho do governo de Trump, mas as atitudes do presidente pegaram tão mal que ele simplesmente decidiu abandonar o cargo na semana passada alegando que não concordava com aquilo tudo e que não queria abrir espaço para interpretações erradas sobre ele e sua companhia.

Fonte: Re/Code, TechCrunch