Exame barato é capaz de mostrar todos os vírus que já infectaram uma pessoa

Por Redação | 05.06.2015 às 16:03

Pesquisadores descobriram uma forma de detectar todos os vírus que já infectaram uma pessoa em toda a sua vida: basta fazer um exame de sangue. O estudo ainda está em seus primeiros estágios, mas já é capaz de mostrar uma incrível semelhança entre os sistemas imunológicos das pessoas.

Seres humanos possuem o que é chamado de "memória imunológica", quando as células imunes conseguem se "lembrar" de todos os vírus que já infectaram aquele corpo. Esse sistema biológico é capaz de acelerar a resposta do corpo quando houver um futuro novo encontro com algum vírus já conhecido.

Os cientistas envolvidos na pesquisa criaram uma espécie de "biblioteca viral" a partir de um banco de dados de sequências de proteínas pertencentes a todos os vírus já reconhecidos pela ciência até os dias de hoje.

Com isso, o objetivo era injetar pedaços de DNA viral em bactérias.

Bactérias, com pequenos pedaços de DNA virais injetados nelas, são misturadas com uma amostra de sangue das cobaias. Dependendo das reações, é possível descobrir quais vírus já infectaram a pessoa.

Os pesquisadores detectaram, em média, cerca de 10 espécies virais no sistema imunológico das pessoas comuns. Porém, dois desses indivíduos mostraram um número assustador de 84 espécies de vírus.

A equipe de cientistas, liderada por Benjamin Larman, da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriu que o número de vírus pode variar de acordo com a idade e o local onde a pessoa mora, morou ou já passou, além dela estar ou não infectada com o HIV.

O teste, batizado de VirScan, deve custar aproximadamente 75 reais, porém, ainda não será aberto ao público. Larman não acredita que isso aconteça tão cedo, pois ele ainda deseja criar um teste mais simples para diagnosticar infecções.

A equipe ainda pretende analisar a biblioteca de vírus criada para descobrir a resposta para outras perguntas relacionadas à saúde e à geografia. O estudo mostra que anticorpos de seres humanos operam de forma parecida em todas as pessoas quando estão respondendo a um vírus. Larman completa dizendo que existem exceções, mas que a semelhança é assustadora.

Fonte: Science