Ex-funcionários da Kaspersky acusam empresa de enganar seus concorrentes

Por Redação | 15.08.2015 às 10:05

Ex-funcionários da Kaspersky Lab revelaram que há cerca de 10 anos a empresa tentou prejudicar seus concorrentes criando uma farsa. De acordo com as fontes, uma das maiores empresas de segurança do mundo usava um truque para que os softwares antivírus de seus rivais classificassem arquivos benignos como maliciosos.

A campanha secreta tinha como alvo entidades como Microsoft, AVG Technologies e Avast Software, enganado algumas delas para que excluíssem ou desativassem arquivos importantes nos PCs de seus clientes. Alguns dos ataques foram ordenados pelo próprio Eugene Kaspersky, cofundador da companhia, como forma de retaliação contra rivais menores que aparentemente estavam imitando seu software em vez de desenvolver as próprias tecnologias.

"Eugene considerava isso um roubo", disse um dos ex-empregados. Ambas as fontes pediram anonimato e disseram que faziam parte de um pequeno grupo de pessoas que sabia sobre a operação. Como já era esperado, a Kaspersky Lab negou ter enganado seus concorrentes para categorizar arquivos limpos como maliciosos, os chamados “falsos positivos”.

"Nossa empresa nunca realizou uma campanha secreta para enganar outras corporações ao gerar falsos positivos para prejudicar sua posição no mercado", afirmou a Kaspersky em comunicado enviado à agência de notícias Reuters. "Tais ações são antiéticas e desonestas, e sua legalidade é no mínimo questionável".

Em outra ocasião, executivos da Microsoft, AVG e Avast declararam que fontes desconhecidas tentaram induzir a falsos positivos nos últimos anos, mas a respeito dessa declaração dos supostos ex-funcionários da Kaspersky, eles disseram que não tinham nenhum comentário a fazer sobre a alegação de que eram alvos da empresa.

A Kaspersky Lab é uma empresa russa e uma das mais populares fabricantes de antivírus do mercado, com 400 milhões de usuários e 270 mil clientes corporativos. A Kaspersky conseguiu ganhar respeito da indústria após realizar uma pesquisa sobre programas de espionagem sofisticados e sobre o worm Stuxnet, que sabotou o programa nuclear do Irã em 1009 e 2010.

Fonte: Reuters