Evernote demite vários executivos e pode passar por nova rodada de investimentos

Por Carlos Dias Ferreira | 04 de Setembro de 2018 às 20h50
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O Evernote fez o seu nome ao se tornar um dos primeiros aplicativos a utilizar infraestrutura em nuvem para salvar dados, mas esses dias gloriosos parecem ter ficado no passado. Atualmente, a startup anda se esforçando para retomar parte da clientela perdida para soluções desenvolvidas dentro dos próprios sistemas operacionais, além de certo incidente com políticas de privacidade que ainda é lembrado por muita gente.

Mas as vias de mudança foram postas, aparentemente; pelo menos é o que indicam as várias cabeças que rolaram nesta semana. Conforme revelou o TechCrunch, pelo menos seis executivos seniores da Evernote foram demitidos recentemente, incluindo o diretor de tecnologia, Anirban Kundu; o diretor financeiro, Vincent Toolan; o executivo associado Erik Wrobel; e a chefe de recursos humanos, Michelle Wagner.

Rodada de investimentos down round

Ao que tudo indica, as demissões se devem a uma preparação para uma nova rodada de investimentos — uma um tanto mais “agourenta” do que as anteriores, por assim dizer. De fato, os novos aportes podem ocorrer em um contexto identificado pelo meio financeiro como down round.

Basicamente, trata-se de disponibilizar quotas e opções de compra a investidores em potencial em um contexto de desvalorização da empresa como um todo; isso pode levar a uma diluição ainda maior da propriedade, representando uma espécie de medida desesperada. No caso de Evernote, em particular, a nova injeção de fundos pode se basear em análise que coloque a companhia abaixo dos US$ 1,2 bilhão da última rodada, ocorrida já há vários anos.

A companhia ainda não disse nada sobre a possibilidade de novos investimentos, embora tenha confirmado as demissões, ajuntando que os cargos foram ocupados internamente — sobretudo por membros recém-contratados que acabaram sendo remanejados, assumindo responsabilidades distintas. Trata-se da segunda reestruturação de pessoal da companhia em pouco mais de dois anos.

Caso seja forçada a encarar uma fase de investimentos down round, a Evernote pode diluir ainda mais a sua propriedade, com aportes ancorados em valores inferiores ao US$ 1,2 bilhão da última rodada. (Imagem: reprodução/Evernote)

A hora é de apertar o cinto

A Evernote anda em um regime de contenção de custos, conforme provaram os fechamentos recentes de vários negócios acessórios, tais como algumas versões do Skitch e o seu app Food. Além disso, a startup passou adiante o controle das suas operações chinesas em junho deste ano, permanecendo apenas como acionista minoritária da Yinxiang Biji (que chegou a responder por 10% das receitas totais da empresa em dado momento).

Para além das revisões de custos, a empresa ainda se recupera de um caso particularmente problemático, em que foi revelado que funcionários tinham acesso às notas escritas por usuários do aplicativo; embora o inconveniente tenha sido corrigido, o impacto certamente deixou algumas marcas — sobretudo em uma época na qual a privacidade de dados se torna uma questão cada vez mais relevante.

Lançado em 2004 pelo engenheiro Stepan Pachikov como um software exclusivo para o Windows, o Evernote se tornou um dos primeiros a ganhar espaço também no território mobile. A conquista do mercado veio por uma combinação entre um canivete suíço de utilitários e uma infraestrutura em nuvem pioneira, tornando possível acessar quaisquer notas ou conteúdos afins a partir de uma miríade de dispositivos — algo consideravelmente disruptivo à época.

Fonte: TechCrunch

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