EUA confirmam acordo e ZTE pode voltar a operar no país

Por Felipe Demartini | 12 de Julho de 2018 às 10h44
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O governo dos Estados Unidos confirmou a assinatura de um acordo com a ZTE, uma das principais fabricantes de equipamentos de telecomunicações da China, para que ela possa voltar a operar no país. A companhia já teria realizado as mudanças gerenciais exigidas pelos EUA e, agora, só precisa realizar o pagamento de uma multa no valor de US$ 400 milhões para que suas atividades sejam retomadas.

O valor é parte de uma penalidade maior, cujo valor total é de US$ 1,4 bilhão. Desse montante, US$ 1 bilhão já teriam sido pagos diretamente ao Departamento do Tesouro americano como penalidade pela quebra de sanções e acordos comerciais. Os US$ 400 milhões restantes devem ser depositados em uma conta de confiança, que pode ser sacada pelo governo dos EUA caso a ZTE volte a quebrar os termos firmados com as autoridades.

Os rumores sobre a obtenção de um acordo já circulavam desde o começo da semana, mas, inicialmente, citavam apenas um retorno parcial, com a ZTE podendo prestar serviços de suporte e manutenção de infraestruturas essenciais. A realidade, entretanto, se mostrou ainda melhor para a companhia, que, com o pagamento, poderá voltar a operar de forma integral nos Estados Unidos.

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A novela, que agora chega ao fim, começou em 2017, quando a ZTE foi acusada de estar fornecendo produtos e serviços de telecomunicações para países como o Irã e a Coreia de Norte. Tais negociações são ilegais para toda e qualquer companhia que tenha atuação nos EUA, o que levou às multas e ao banimento da fabricante, que ficou impedida de negociar com qualquer companhia americana.

Com isso, no início de maio, a empresa chinesa anunciou que estaria interrompendo indefinidamente suas operações nos Estados Unidos, já que, sem componentes, infraestrutura e serviços terceirizados, entre outros, não mais poderia continuar trabalhando. Inicialmente, essa proibição teria duração de sete anos, mas desde a aplicação das penas a ZTE afirma estar negociando com o governo americano para atender as exigências e voltar às atividades.

O trabalho, agora, mostra seus frutos, mas não sem algumas cabeças rolarem. Entre os pedidos feitos pelos EUA para que o acordo ocorresse estava uma severa mudança gerencial, com todos os participantes dos negócios ilegais tendo que ser demitidos. Com isso, pelo menos 40 funcionários da empresa teriam sido dispensados, entre gerentes locais e membros da diretoria, bem como vice-presidente de diferentes departamentos.

As dispensas não foram confirmadas oficialmente, bem como os nomes dos eventuais demitidos, mas como a mudança de comando estava entre as exigências do governo, é bastante provável que ela tenha ocorrido. Segundo informações oficiais do governo dos EUA, a sanção é a maior já aplicada a uma companhia estrangeira, mas estaria em total conformidade devido à gravidade das negociações entre a ZTE e inimigos do estado americano.

O fim do banimento vem, ainda, em um bom momento, no qual os Estados Unidos se encontram em batalha comercial contra a China. O Departamento de Comércio negou qualquer relação entre o acordo e a fala de Donald Trump, que ameaçou aplicar uma taxa de 10% sobre todos os produtos importados do país. O presidente teria participado diretamente das conversas com a ZTE e seria amigo pessoal do CEO da companhia, Xi Jinping, o que teria ajudado no restabelecimento das operações.

A notícia caiu bem na terra-natal da fabricante, com as ações da ZTE revertendo a sequência de baixas que vinha acumulando desde maio. Os papéis fecharam o pregão desta quinta-feira (12) com uma ligeira alta, de 1,2%, e a perspectiva é de melhoria agora que as coisas parecem ter voltado aos trilhos. Desde o final de maio, entretanto, as perdas acumuladas já são de mais de 60%, com a companhia tendo US$ 11 bilhões em redução de seu valor de mercado.

A confirmação do acordo veio por meio do Departamento de Comércio dos EUA. A ZTE, entretanto, não emitiu comunicado sobre o assunto.

Fonte: Reuters

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