"Estou com a consciência limpa", diz roteirista de Steve Jobs sobre adaptações

Por Redação | 19 de Outubro de 2015 às 11h24

O tão comentado filme que mostra (mais uma vez) a vida de Steve Jobs chegou ao cinema repleto de elogios e algumas polêmicas. Estrelado por Michael Fassbender, o longa foi um sucesso de bilheteria nos países por onde passou e, ao mesmo tempo, despertou a fúria da viúva do personagem-título, que tentou impedir o lançamento do longa em vários momentos. Apesar de tudo isso, o roteirista da produção afirma que está com a consciência limpa em relação ao seu trabalho.

Durante a divulgação de Steve Jobs no Festival de Cinema de Londres, Aaron Sorkin disse que não se preocupa com nada em relação à precisão daquilo que ele preparou para as telas, mesmo com as críticas de Laurene Jobs questionando a veracidade de várias cenas. Para ele, parte dessa discussão está no fato das pequenas adaptações que ele fez para tornar a coisa toda mais palatável para os cinemas.

Sorkin descreve o seu roteiro muito mais como uma pintura sobre a vida de Jobs do que uma fotografia, ou seja, quase como uma reinterpretação daquilo que ele viu e estudou do que um retrato fiel. Segundo ele, a ideia nunca foi fazer uma recriação dramática da página do cofundador da Apple presente na Wikipedia, mas algo próprio a partir daquilo que está presente na biografia do executivo escrita por Walter Isaacson.

Steve Jobs filme

Tanto que essa visão foi defendida por todo o elenco e demais membros da equipe de produção. Para o ator Michael Stuhlbarg, que vive o engenheiro da Apple Andy Hertzfeld, Steve Jobs conduz o livro de uma forma diferente, sugerindo ou mesmo dando pequenos indícios do que era a vida pessoal do verdadeiro Steve.

Aaron Sorkin completa dizendo que o roteiro do longa-metragem teve alguns ajustes para contar a história que ele queria e que esse é um procedimento bastante comum dentro do cinema. Ainda assim, explica, isso não quer dizer que o que é mostrado seja mentira. Segundo ele, há muita verdade naquilo que o filme traz — e algumas delas são bem importantes — e que aquilo que veremos é uma dramatização de vários conflitos pessoais que Jobs tinha em sua vida. Mais do que isso, esses confrontos internos serviam para ilustrar e nos dar uma noção daquilo que se passava com ele.

Assim, o roteirista conclui dizendo que considera todas essas pequenas mudanças justas e que nada disso tira seu sono à noite, uma vez que ele se manteve fiel àquilo que Steve Jobs era.

Por outro lado, a responsabilidade de interpretar alguém que realmente existiu incomodou o ator Michael Fassbender no início. Segundo ele, saber que você vai dar vida a alguém que realmente existiu e que há pessoas próximas a ele — como a viúva e a filha — preocupadas com o modo como você vai fazer isso é algo que afeta a consciência do artista.

Porém, como o ator completa, esse tipo de abordagem é semelhante àquilo que é feito no jornalismo. Para Fassbender, há toda a responsabilidade de contar aquela história do modo mais respeitoso possível — algo que ele acredita ter feito. Assim, o ator espera que a família de Jobs veja essa sua intenção quando for ver o longa.

Já em relação às tentativas de Laurene Jobs de impedir a produção do filme, Aaron Sorkin explica que a filha do casal, Lisa Jobs, nunca foi contra e que é ela quem aparece nas telonas e, por isso, não se deixaram afetar pelas críticas.

Via: CNET

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