Estamos preparados para a revolução dos wearables de saúde?

Por Colaborador externo | 03 de Junho de 2015 às 06h20

Por Tony Anscombe*

Os wearables podem nos fornecer dados poderosos para melhorar a nossa saúde e nos fazer tomar decisões sobre nosso estilo de vida, mas estamos prontos para compartilhar dados médicos confidenciais com o mundo? Recentemente a MEF, uma instituição de comércio global que atua de forma imparcial abordando questões sobre o ecossistema mobile, divulgou uma pesquisa sobre o uso de dispositivos wearable focados na área de bem estar, fitness e saúde, tanto de uso pessoal, quanto os usados por profissionais de saúde.

De acordo com a pesquisa, "o mercado global de aplicativos de saúde e fitness movimenta atualmente US$ 4 bilhões e a previsão é atingir os US$ 26 bilhões até 2017". Isto significa que nós ainda vamos ouvir muito sobre wearables de saúde nos próximos anos.

O que mais atrai no uso dos wearables é a sua conveniência. Passivamente, eles podem rastrear nossas atividades, frequência cardíaca, pressão, quantidade de passos dados e outros dados vitais que nos permitem tomar decisões de saúde e estilo de vida.

Imagine um futuro no qual um paciente que precisa de monitoramento frequente pode seguir sua rotina diária sem preocupações, enquanto um wearable transmite seus dados diretamente ao seu médico. Esse diagnóstico remoto é, potencialmente, uma forma muito simples de fornecer aos médicos toda a informação que eles precisam sem perda de tempo, deslocamentos e necessidades de marcação de consulta.

Nesse sentido, houve alguns avanços interessantes desde o ano passado, como a pesquisa do Google sobre lentes de contato que medem o açúcar no sangue, além do uso da tecnologia de câmera wearable em cirurgias remotas.

O relatório da pesquisa do MEF também evidencia que a adoção de wearables de saúde ainda é menor nos países ocidentais, sendo os índices mais baixos os da Alemanha e da França. Acredito que esse resultado reflete o fato de que os pacientes desses países são mais conscientes sobre os riscos de segurança e privacidade de dados ao usar esse tipo de aparelho, tendo já visto muitas histórias de violação de dados nos noticiários nos últimos anos.

Confiança e segurança são fundamentais para o sucesso dos mHealth (nomenclatura dada aos dispositivos móveis e aplicativos ligados à saúde). Os wearables estão apagando a linha tênue entre o que são dados médicos e o que são dados recreativos. Pela lei, dados médicos precisam ser criptografados e autenticados em bancos de dados, mas dados recreativos, como os capturados pela maioria dos dispositivos wearable, não.

Além disso, fabricantes de rastreadores fitness e outros monitores de atividades não estão operando em um mercado regulado e as empresas poderiam estar usando esses dados de formas que ainda não podemos nem entender, nem concordar por total falta de informação, mesmo que constem em seus documentos de política de uso.

Se essas empresas armazenam dados que nós realmente esperamos que sejam usados apenas para fins médicos, então talvez os regulamentos de sigilo e privacidade precisem se aplicar a elas também.

Por enquanto o assunto pode soar como um futuro distante, mas eu recomendo a leitura cuidadosa das políticas de privacidade e termos de uso de qualquer dispositivo ou aplicativo capaz de coletar dados pessoais ou sensíveis para que se poça fazer uma escolha consciente e sensata sobre se e com quem você deseja compartilhar esses dados.

* Tony Anscombe é evangelizador de segurança e especialista em Mobile da AVG Technologies.

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