Estagiários da Apple podem chegar a ganhar mais de R$ 21 mil por mês

Por Redação | 29.06.2015 às 16:55

Que a Apple é uma das empresas mais cobiçadas por profissionais de TI em todo o mundo, isso não é novidade nenhuma. Contudo, trabalhar na Maçã nem sempre é uma das tarefas mais fáceis do mundo, mesmo com salários que podem chegar a mais de R$ 21 mil para estagiários.

Quem revela as dificuldades de se trabalhar ao lado de grandes nomes do mundo da tecnologia como Tim Cook e Jonathan Ive é um ex-estagiário da Apple que pediu ao Business Insider para ser identificado apenas por Brad. Segundo o ex-contratado da Maçã, a empresa mantém uma política bastante restritiva quando o assunto é o que seus funcionários podem fazer e compartilhar com amigos e familiares. "Você não pode contar a ninguém sobre o seu trabalho. Não pode contar a ninguém que não vive com você em que você está trabalhando", revelou.

Ele conta que não tinha a mínima ideia aonde estava se metendo quando se candidatou a uma vaga de estágio na Maçã. "Todo o processo foi bastante simples", revela o ex-funcionário fazendo um comparativo com o processo adotado por Google e Facebook. "Passei pelas entrevistas e fui aceito para a vaga. Fiquei supercontente e aceitei a proposta sem sequer saber no que ia trabalhar", conta.

Outro fator que conta pontos para a companhia fundada por Steve Jobs é que ela paga muito bem os seus estagiários. Segundo Brad, a média salarial para esse tipo de contratado gira em torno de US$ 6.700 — pouco mais de R$ 21 mil na cotação atual — para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. Quem ultrapassar o limite estipulado, recebe como hora extra — o que acaba encorajando os novatos a trabalharem até 60 horas semanais para poupar dinheiro, já que não têm que pagar por moradia, que também é oferecida pela Maçã.

"Esse ponto é muito atraente, principalmente se você não se importar em dividir uma casa com outro estagiário", revela Maxime Britto, outro ex-estagiário da Apple. Para os que não gostam da ideia, a própria empresa oferece um adicional de US$ 1 mil para cobrir os custos com moradia.

Embora as vantagens sejam numerosas e para lá de atraentes, Brad confessa que não se sentiu à vontade com a política de segredos que a companhia prega entre os estagiários. "Tudo é mantido às escuras. Não é permitido tirar nem uma fotografia no campus", revela o ex-estagiário.

A coisa é tão absurda que os gerentes reservam datas específicas no calendário para ministrar o chamado "treinamento secreto" para os que estão chegando. Ao que aparenta, o tal treinamento é utilizado para realizar uma espécie de "lavagem cerebral" nos calouros, de maneira que eles aceitem e não questionem as normas da companhia e no que vão trabalhar.

Para ilustrar bem o nível disso, Brad conta que conheceu um funcionário que disse ter trabalhado no projeto do primeiro iPad, que foi lançado em 2010. "Essa pessoa passou de um a dois anos trabalhando em um dispositivo com tela de 9,7 polegadas sem sequer saber o que ele realmente era", conta. "Eles não tinham ideia do que era aquilo. Somente quando Steve Jobs foi subiu no palco para anunciar o iPad que eles entenderam no que estiveram trabalhando nos últimos anos".

Mesmo com todo esse clima de segredo nos corredores da Apple, Brad diz que percebeu a lealdade dos funcionários da Apple. "Muitos deles permanecem na empresa por 25, 35 anos", nota o estagiário, ressaltando que o mesmo não se repete em empresas "mais abertas", como Google e Facebook, que geralmente perdem pessoal que parte para abrir sua própria empresa.

"Chega a ser ridículo. Eles falam de Steve Jobs pelo primeiro nome. É um tipo de lealdade que não vê por aí e as pessoas realmente não procuram por outros empregos", destaca Nate Sharpe, outro estagiário com passagem pela Maçã.

E você, o que acha desse clima na Apple? Conseguiria manter tanto segredo para tantas pessoas assim? Conte para a gente nos comentários.

Fonte: Business Insider, Quora (2)