Especialistas criticam sistemas de organização do Apple Music

Por Redação | 23.07.2015 às 11:38 - atualizado em 24.07.2015 às 00:36

Desde o lançamento do Apple Music, no final de junho, tudo parece estar correndo às mil maravilhas para a empresa de Cupertino. Apesar de duas falhas nos servidores terem deixado a plataforma fora do ar em momentos bastante importantes, a recepção dos usuários soa calorosa, assim como o apoio dos artistas. Mas não para Jim Dalrymple, um dos jornalistas mais experientes quando o assunto é a Maçã, que taxou a experiência com o serviço como um “pesadelo”.

As críticas, aqui, se referem especificamente a bugs e falhas na experiência do usuário, que podem mesmo se transformar em um sonho ruim para quem gosta de manter listas de reprodução e arquivos locais organizados e bem catalogados. Mas parece que o Apple Music não compartilha dessa visão o suficiente para fazer com que o serviço, inicialmente taxado por Dalrymple como “impressionante”, se tornasse frustrante e fosse abandonado por ele pouco após o lançamento.

O blogueiro afirmou ter utilizado o serviço com uma combinação de músicas compradas pela iTunes Store, ripadas de CDs que ele possui e baixadas pelo serviço da Maçã. E é justamente nessa combinação toda que está o problema, já que, aparentemente por conta disso, o sistema de recomendação musical fica extremamente confuso, assim como a montagem de listas de reprodução.

Dalrymple cita, por exemplo, vários momentos em que gostaria que um álbum completo fosse adicionado à playlist, mas apenas algumas faixas fizeram esse caminho. Em outros, o Apple Music exibia a adição das canções apenas para pulá-las na hora de reproduzi-las. Ou, ainda, muitos discos comprados pelo usuário por meio da iTunes Store não eram reconhecidos, mesmo fazendo parte do portfólio da plataforma de streaming.

Isso levou a recomendações de artistas e álbuns já conhecidos como “novidades”, algo que, para o jornalista, tornou ainda mais irrelevante um sistema de indicações já pouco relevante. Segundo ele, o Apple Music acaba focando em grandes artistas e falha na hora de mostrar artistas menores e pouco conhecidos, acabando por exibir sempre mais do mesmo e trazendo pouco valor aos ouvintes.

Mas, para Dalrymple, que se diz um maníaco por organização, o pior aconteceu na hora de baixar músicas para ouvir offline. Ao fazer isso com uma coletânea do ZZ Top, o jornalista viu as diversas faixas de diferentes momentos da carreira da banda sendo copiadas de diferentes álbuns, transformando a coleção em faixas escolhidas a dedo, que exigiram um trabalho adicional para serem reunidas de novo e colocadas em ordem.

Além disso, ele afirmou que, ao pedir para ser descadastrado do serviço, o Apple Music deletou de sua biblioteca diversas faixas ripadas de CDs, provavelmente por acreditar que elas teriam sido baixadas a partir do serviço. Dalrymple cita, inclusive, não ter mais acesso a muitos dos discos que foram perdidos dessa maneira, no que é apenas a cereja em um grande bolo de frustração e problemas.

Outros repórteres de tecnologia concordaram com as afirmações do blogueiro, afirmando terem encontrado os mesmos problemas de experiência durante a utilização do Apple Music. Muitos, inclusive, já chegam a afirmar que, em termos de experiência de usuário, o serviço musical é comparável ao Maps, que em seu lançamento também virou piada devido ao mal funcionamento e instruções que não faziam o menor sentido.

Em seu mais recente relatório financeiro, divulgado nesta semana, a Apple não falou muito sobre o Apple Music, cujos resultados devem aparecer apenas em relatórios posteriores. Além disso, a companhia também não se pronunciou sobre problemas de usabilidade e funcionamento, mas, como sempre, deve estar de olho nas críticas para fazer melhorias no serviço.

Fonte: Business Insider