Especial Crowdfunding: quem se deu bem no financiamento coletivo

Por Stephanie Kohn | 09 de Agosto de 2017 às 16h18

“Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade.” Foi citando Raul Seixas que Lisa Kalil descreveu sua experiência com o crowdfunding. A cantora e comunicadora, 25, conseguiu arrecadar, por meio do Kickante, R$ 25 mil para gravar seu primeiro EP. A campanha bateu a meta em 120% e foi o suficiente não apenas para bancar a produção do álbum, mas para pagar a taxa de 12% do site de financiamento coletivo e conquistar alguns sonhos extras.

“Senti a força da ação coletiva. Além de arrecadar fundos para o projeto, a campanha também me deu mais gás. Eu recebi tanto carinho e apoio que eu tive a certeza de que eu estava no caminho certo”, comenta.

Lisa optou pela campanha flexível em que o autor do projeto leva o que arrecada mesmo que não atinja a meta estabelecida. A contrapartida é uma taxa de administração maior do que nas campanhas tradicionais. Para conseguir bater a meta, Lisa se engajou bastante. Fez posts no Instagram e Facebook com contagem regressiva, relembrava quais eram as recompensas, dava dicas de como participar, apresentando vídeos, e a cada dez dias enviava um relatório com novidades sobre o projeto.

“Contei muito com a ajuda dos amigos. Os compartilhamentos nas redes são essenciais e por isso que todo mundo que compartilhou alguma coisa sobre o projeto, e eu consegui identificar, vai receber uma recompensa surpresa quando chegar a hora do lançamento”, conta.

No que diz respeito à repercussão, Lisa faz ressalvas: “uma das minhas maiores dificuldades com o CF foi obter informação sobre os compartilhamentos relacionados ao meu projeto e acompanhar as repercussões. Minhas sugestões é melhorar a integração com as redes sociais e conteúdo direto para Instagram e Facebook.”

Já Pedro Bisordi Taraboulous, estudante de publicidade, 22, criou uma campanha no Benfeitoria para o lançamento de um filme chamado Pela Primeira Vez, composto de sete curta metragens diferentes. O projeto ultrapassou a meta em 190%. O primeiro objetivo era arrecadar R$ 22 mil, mas em dois meses, ele e um grupo de amigos, acabaram levando mais de R$ 42 mil.

Eles divulgaram principalmente no Facebook, e-mail e o famoso boca-a-boca. Também criaram uma página do projeto para postar novidades. Outro ponto importante foi manter contato próximo da equipe da plataforma e a produção de um belo vídeo de divulgação do projeto.  

“Aqui no Brasil, o CF ainda é muito novo. Não chegamos em um nível de contribuição por puro investimento. Por aqui a recompensa ainda é o que convence o público a contribuir. Por isso que pensar em recompensas mais elaboradas e específicas para cada público pode fazer a diferença. Além disso, acho importante dar um foco maior em empresas”, comenta Pedro.

O estudante ainda dá outra dica: começar a campanha com pelo menos 25% da meta garantida. “É muito importante que vejam que outras pessoas estão investindo na ideia. Estatísticas [do Catarse] mostram que mais de 90% dos projetos que chegam a 25% na primeira semana conseguem alcançar a meta”, diz.

Agora imagine lançar uma campanha de financiamento coletivo e superar em 1.200% a meta inicial? Isso aconteceu em 2014 com o arquiteto paraense Márcio Sequeira de Oliveira, 36, ao lançar o primeiro Kit Mola, uma espécie de Lego formado por molas e ímãs, que simula o comportamento de estruturas arquitetônicas e é super útil para estudantes de engenharia.

A campanha foi o maior sucesso do Catarse no Brasil naquele ano, na categoria produto, arrecadando R$ 600 mil de mais de 1,2 mil apoiadores. Dois anos depois, Márcio se arriscou novamente partindo para o Kit Mola 2 e bingo! outro sucesso: meta superada em 200%, passando de R$ 350 mil iniciais para R$ 700 mil.

O Kit Mola 2 é um complemento ao primeiro kit e amplia as possibilidades de montagem, estudo e compreensão de como as estruturas se comportam expostas ao vento ou à gravidade. O produto integra o catálogo de uma empresa, agora assim constituída, a Mola Model, e Márcio tornou-se um empreendedor.

Pensa em criar sua campanha em uma plataforma de crowdfunding? Saiba como funciona o financiamento coletivo lendo o nosso especial.

Com informações do Projeto Draft.