Empresas de TI no Brasil investem menos em pesquisa e desenvolvimento

Por Redação | 17.07.2015 às 15:16

A atual crise econômica do Brasil tem afetado diretamente os investimentos das empresas brasileiras. As companhias de TI, por exemplo, diminuíram seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Os dados de tal redução estão na edição 2014 do Censo realizado pela Assespro Nacional (Federação das Associações de Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação).

Mais de um quinto (22,4%) das empresas nacionais não realizou qualquer investimento em P&D. O índice subiu quase três pontos percentuais na comparação com 2013. Outros 4,4% dos entrevistados afirmaram que não sabem se realizaram algum tipo de investimento na área.

Segundo o presidente da Assespro Nacional, Luis Mario Luchetta, "a área de P&D não oferece benefícios no curto prazo para as organizações e muitas vezes é esquecida pelos empresários. É um fato preocupante, pois mostra que as companhias brasileiras não investem justamente na categoria mais indicada para driblar a crise econômica".

Em um ambiente de crise econômica, são as novidades lançadas no mercado que podem criar melhores oportunidades de negócio. Sendo assim, o investimento em P&D se torna necessário por permitir aos profissionais e empresas um maior conhecimento no desenvolvimento de novas aplicações, como processos aprimorados ou produtos.

Entre as empresas brasileiras que realizam algum tipo de investimento em P&D, 12,9% utilizam entre 4% e 8% do faturamento para a produção de conhecimento. Outro destaque da pesquisa é o aumento das empresas que investem mais de 15% da receita na área de pesquisa e desenvolvimento. Este número chega a 9,7% dos entrevistados, dois pontos percentuais acima do Censo de 2013.

As empresas brasileiras também se encontram atrás da concorrência na América Latina. A pesquisa mostrou que as companhias da região realizam mais investimentos em P&D e apenas 16,1% não realizam nenhum aporte na área, o que representa uma grande preocupação em se manter atualizado com o mercado de atuação. Diferente do Brasil, empresas dos 18 países averiguados preferem destinar pouco recurso na área, sendo que 33,2% investem até 2% do faturamento.

Ao realizar investimentos, as empresas preferem as aplicações de sistemas de informação. Para 38% dos entrevistados, os mais importantes são os sistemas de processamento de informações, sistemas de computação, controle de processos, entre outros. Já a área de criação e gerenciamento de softwares aparece na segunda colocação, correspondendo a 29,3% dos entrevistados. Em terceiro, surgem os sistemas de informação em World Wide Web, com 25,6%.

Com a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, os novos produtos brasileiros não conseguem obter a representatividade necessária no faturamento total. O número de companhias que conseguem mais de 50% das vendas com soluções com menos de três anos de desenvolvimento foi reduzida em dez pontos percentuais entre 2013 e 2014, segundo mostra o Censo. Esse índice corresponde, atualmente, a 18,4% das empresas brasileiras, mesma variação na comparação com a América Latina.

Nesta edição do Censo 2014 da Assespro Nacional, participaram 814 empresas de 19 países da América Latina. Juntas, elas geraram uma grande base de dados com pouco mais de 80 mil respostas. As empresas no Brasil correspondem a 53% do total das entrevistadas.

Fonte: http://convergecom.com.br/tiinside/15/07/2015/investimento-em-pesquisa-e-desenvolvimento-cai-entre-empresas-brasileiras-de-ti/?noticiario=TI&__akacao=2485134&__akcnt=2a5ceca8&__akvkey=daf9&utm_source=akna&utm_medium=email&utm_ca