Empresas brasileiras já estão ficando para trás na adoção de IoT, indica estudo

Por Rafael Romer | 03 de Dezembro de 2015 às 14h10

A tendência da Internet das Coisas (IoT) ganhou um destaque importante neste ano, com um grande número de empresas do ramo de TI e diversos outros setores passando a tratar do tema como algo importante para suas organizações ou até experimentando com algumas inovações. Mas um estudo revelado nesta quarta-feira (2) pela Qualcomm, em parceria com a consultoria de mercado IDC, mostra que as empresas brasileiras já podem estar ficando para trás na adoção de tecnologias da IoT e podem precisar de uma "evangelização" maior sobre o tema.

Em sua segunda edição, o Índice de Inovação da Sociedade (QuiSI) levantou pela primeira vez o índice de adoção da Internet das Coisas por empresas e governos de quatro economias latino-americanas: Brasil, Argentina, Colômbia e México. No Brasil, os resultados não foram os melhores quando o assunto é inovação.

Dos 150 tomadores de decisões de médias e grandes empresas nacionais entrevistados, apenas 27% indicaram que têm alguma política de inovação dentro do ambiente corporativo. A informação mais preocupante, segundo a consultoria, é que mais de um terço (36%) do total das organizações que praticam algum tipo de inovação não sabe como medir o impacto da tecnologia na empresa.

Quando o assunto é tendência da Internet das Coisas, 57% das empresas afirmaram estar familiarizadas com o tema, mas só 27% indicaram que têm planos futuros para adoção da tecnologia. O índice é ainda menor entre empresas que indicaram que efetivamente têm algum projeto de inovação com IoT implementado, que são só 7% do total de empresas pesquisadas.

"O IoT deveria ser um acelerador para o Brasil, mas não é", avaliou o presidente da Qualcomm para a América Latina, Rafael Steinhauser. "Não estamos entrando nisso com o vigor que precisaríamos para o tamanho do país".

Os resultados são próximos das outras três economias pesquisadas na América Latina, mas considerados fracos para o tamanho da indústria de TI no Brasil. Só neste ano, os Estados Unidos e a China foram responsáveis por 53% do total de investimentos globais em IoT - com investimentos de US$ 210 bilhões e US$ 204 bilhões, respectivamente. O Brasil representou 0,5% do total, com apenas US$ 3 bilhões.

De acordo com o levantamento, o atraso se dá por uma série de motivos inibidores da adoção dessas tecnologias, que vão da falta de infraestrutura nacional para suporte desses equipamentos, até o pouco número de patentes locais. Entres as empresas, os principais motivos citados para a não adoção da IoT foram o alto custo inicial de implementação dessas tecnologias e a prioridade de outras demandas corporativas de TI.

O levantamento também avaliou a posição de provedores de hardware, software e serviços para o Governo, startups e universidades com entrevistas em profundidade para avaliar o sentimento dessas organizações sobre a preocupação do setor público com a IoT.

No Brasil, 60% dos influenciadores de TI questionados sobre o tema apontaram que o governo tem se interessado no setor, mas mais projetos ainda precisam sair do papel e ser implementados. O índice de interesse do setor público em IoT é superior à média latino-americana, de 48%, mas a avaliação é que ainda estamos dando os passos iniciais: muitas ideias ainda não têm uma política de Estado sobre IoT, além de baixa qualificação para gerenciar novas tecnologias

Para ampliar o avanço da tendência no país, a consultoria IDC indicou que é necessária uma evangelização sobre o tema entre empresas, com fabricantes e provedores de serviços que mitiguem as percepções negativas do setor de que projetos de IoT são muito caros e que não trazem resultados positivos, indicando quais são as vantagens da adoção desses sistemas e revertendo oportunidades do mercado.

Além disso, ofertas de soluções de IoT também precisam se trabalhadas de forma mais próxima com o negócio de empresas nacionais, aumentando a personalização do serviço. Para isso, a consultoria recomenda que provedores se unam aos grandes fornecedores para alinhar estratégias e ampliar o crescimento do setor no país.

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