Empresa que protege o smartphone de Angela Merkel começa a operar no Brasil

Por Rafael Romer | 01 de Setembro de 2015 às 08h00
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Em novembro de 2014, a empresa alemã especializada em comunicação segura Secusmart confirmou sua aquisição pela canadense Blackberry, que busca se restabelecer no mercado como uma provedora de soluções de segurança através de aquisições de outras companhias.

Ainda assim, a Secusmart mantém um alto nível de independência dentro do ecossistema da Blackberry. Tendo como um dos maiores clientes e único case público o governo alemão, que utiliza a solução de voz criptografada da companhia nos seus smartphones, a Secusmart precisou aguardar um processo de seis meses antes de ser adquirida pela canadense, já que preocupações de segurança levaram o governo do país europeu a analisar bem a situação.

A condição da aquisição foi essa independência da Secusmart, que apesar de agora ter uma subsidiária da Blackberry, mantém o nome, time e permanece baseada em Düsseldorf, como uma empresa alemã.

Mas isso não significa que a aquisição não tenha ajudado a companhia. Dentro do ecossistema da Blackberry, a Secusmart ganhou acesso à uma capilaridade muito maior da força de vendas e colaboradores da canadense e agora busca se expandir para mercados que não conseguia atuar antigamente.

"Você não pode ter um único representante de vendas para a América Latina, seria muito grande para nós", explicou ao Canaltech o direto executivo da Secusmart, Hans-Christoph Quelle. "Agora nós podemos utilizar a organização de vendas da Blackberry e toda a estrutura para chegar no Brasil".

Nosso já tem provas de conceito de sua tecnologia no setor público e privado. Quelle não abre detalhes sobre as empresas que estão testando sua solução SecuSuite no país, mas afirmou que se tratam de "autoridades brasileiras" e três outros clientes no setor privado. Por ora, a empresa deve manter a operação pequena para evitar dar um passo maior do que a perna.

"Segurança precisa de tempo, isso é importante. Você não pode vender segurança como um item para o consumidor", afirmou o executivo. "Você precisa construir confiança de ambos os lados. Há uma construção de ecossistema entre nós, os revendedores e o cliente. É nisso que estamos focando".

Segundo Quelle, o interesse para entrar no mercado brasileiro já é antigo dentro da Secusmart, mas o país era "muito longe e muito grande" para a empresa iniciar o trabalho sozinha. Agora a companhia reforçou sua musculatura e desembarca oficialmente por aqui depois da aquisição pela fabricante de smartphones.

Outro motivo para a entrada no mercado nacional foi o crescimento do interesse de empresas brasileiras em soluções de comunicação criptografada por voz após as revelações de Edward Snowden. Quelle comenta que, após o episódio, diversas companhias nacionais foram buscar informações e conversar com a Secusmart em eventos como a Cebit, uma das maiores feitas de tecnologia da Alemanha.

Hoje a empresa foca suas soluções em duas verticais: o setor público e o privado. Para governos, a solução SecuSuite foca na criptografia de dados e comunicação de voz no próprio hardware, que usa um microSD especial para que qualquer interceptação de uma conversa só entregue barulho de interferência para o atacante. No lado privado, a empresa oferece o SecuSuite Enterprise, uma solução em software que permite que ligações feitas pelo dispositivo protegido passem pelos servidores da Secusmart e sejam reencaminhadas para o receptor de forma anônima e criptografada.

Por enquanto, a solução da empresa voltada para governos funciona somente no sistema Blackberry 10 e em smartphones da companhia. Mas Quelle afirma que uma solução para dispositivos Android já está em desenvolvimento. Para os dispositivos corporativos, há apps disponíveis para Android, iOS e Blackberry 10.

Apesar de só estarem chegando por aqui agora, a empresa tem outros planos para sua expansão. Entre eles está o Estados Unidos, o maior mercado do setor no mundo. A aposta do executivo para o mercado norte-americano está em outra aquisição recente da Blackberry, a AtHoc, uma empresa de comunicação segura para momentos de crise que tem uma extensa rede de revendedores nos EUA e tem entre seus principais clientes as Forças Armadas norte-americanas, o Pentágono e a agência de segurança de aeroportos do país, a Transportation Security Administration (TSA). "Mas isso não é agora [começar a atuar nos Estados Unidos], demora um tempo e exige uma força de vendas estabelecida", disse.

SecuSmart

Hans-Christoph Quelle, Diretor Executivo da Secusmart, esteve no Brasil para participar de um evento de segurança (foto: Divulgação)

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