Empresa de planejamento financeiro FutureAdvisor é adquirida pela BlackRock

Por Redação | 08.09.2015 às 15:04

A FutureAdvisor, grande nome do setor de “robo advisors”, ou seja, dos serviços que usam sistemas automatizados para criar e gerenciar portfólios de investimentos no mercado de ações, foi adquirida pela BlackRock, companhia do setor de planejamento e investimento financeiros. O negócio aconteceu na última semana e os detalhes da transação não foram divulgadas pelas partes.

Junto com a marca e a tecnologia, a BlackRock levou para si os mais de US$ 600 milhões em propriedades da FutureAdvisor. De acordo com o Wall Street Journal, a FutureAdvisor continuará a oferecer os seus serviços para clientes novos e atuais, mas a ideia de sua nova controladora é expandir o mercado de conselhos automatizados.

Conforme a publicação, a BlackRock pretende vender estes serviços para instituições bancárias e companhias de seguro que já são suas clientes. Com isso, tais empresas seriam capazes de simular seus investimentos e verificar como isso afetaria os seus portfólios de ações, entre outras possibilidades — ou seja, em vez de comprarem o planejamento, elas adquiririam a ferramenta que faz isso.

A partir de agora, o serviço será oferecido sob a marca “FutureAdvisor by BlackRock Solutions”, algo que já acontece com outros produtos da empresa, como a iShares.

Robo advisor em xeque

O ramo dos “robo advisors” ganhou bastante destaque nos últimos anos. Eles funcionam sem nenhuma intervenção humana, baseando-se em algoritmos para realizar planejamentos financeiros. A ideia básica é que estes sistemas, normalmente com capacidade de “aprender” com seus usuários, se desenvolvam e se tornem cada vez mais precisos.

O mercado cresceu rápido por fornecer planejamento financeiro acessível a um grande número de pessoas — afinal, comprar conselhos sobre investimento de uma máquina custa menos do que fazer isso com a ajuda de um especialista humano.

A venda da FutureAdvisor, porém, coloca em xeque o futuro do setor, acredita Kathleen Pender, do San Francisco Chronicle.

Isso porque este mercado opera com baixa taxa de lucro — um dos pontos-chave para o seu crescimento —, o que pode trazer prejuízos em longo prazo. Com isso, os especialistas acreditam que poucas empresas atuando no ramo conseguirão desenvolver um modelo lucrativo e, de fato, manterem-se na ativa de forma a continuarem competitivas.

A entrada de cabeça da BlackRock tira um pouco do foco do setor e levanta algumas dúvidas quanto ao seu futuro. Isto porque a empresa, uma gigante do planejamento financeiro, já vinha engatinhando no ramo dos “robo advisors” e costumava ouvir seus clientes pedindo dicas de empresas que realizassem planejamento automatizado.

Agora, fazendo uma comparação grosseira, ela deixa de apenas vender um produto, mas passa a negociar a ferramenta que o fabrica. Sem dúvida, isso terá um impacto junto às suas rivais, mas essa transição pode não ser exatamente simples. A ideia de oferecer um modelo tecnológico de planejamento pode vir a desequilibrar este setor para o lado da BlackRock... e isso só o tempo dirá.

Fontes: The Wall Street Journal, San Francisco Chronicle