Elon Musk vai deixar conselho de Trump caso ele recuse acordo climático

Por Redação | 01.06.2017 às 12:31
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Como pressão pouca nunca é demais, o CEO da Tesla, Elon Musk, anunciou que vai deixar o posto de conselheiro do presidente americano Donald Trump caso ele efetivamente decida que o país vai abandonar o Acordo de Paris. A possibilidade vem sendo ventilada pela imprensa no país como certa, principalmente depois que outros líderes globais afirmaram dificuldades em chegar a um consenso com os EUA.

Por meio de publicações no Twitter, Musk disse ter feito todo o possível para que Trump não desistisse do acordo, mas caso ele realmente venha a anunciar a retirada, o executivo não teria opção a não ser deixar o conselho. O acordo tem peso especial para o presidente executivo da Tesla justamente devido à sua posição no setor de carros elétricos, vistos como uma bela alternativa para os veículos convencionais.

Assinado em 2016 pelo então presidente Barack Obama e outros 195 países, o Acordo de Paris é um compromisso das nações para, voluntariamente, reduzirem as emissões de gases para a atmosfera e a utilização de combustíveis fósseis. A ideia é que até mesmo o próprio desenvolvimento econômico das nações seja reduzido para que a temperatura do planeta sofra elevações de, no máximo, dois graus Celsius.

Trump, entretanto, se mostrou contrário à agenda desde antes de ser eleito presidente, e inclusive chegou a afirmar que o aquecimento global seria uma “invenção chinesa”. Após a reunião do G7, cúpula que reúne os sete países mais ricos do mundo, no último final de semana, a pressão aumentou, com Angela Merkel, da Alemanha, e Emmanual Macron, da França, afirmando que um consenso com os Estados Unidos seria complicado.

O presidente americano, por outro lado, pediu mais tempo para refletir e disse, nesta quarta-feira (31), que revelaria sua posição até o final da próxima semana. A imprensa afirma que ele está decidido a retirar os EUA do acordo, apesar de a Casa Branca ainda não ter confirmado a informação.

As declarações de Musk mostram perda de fé em uma iniciativa citada pelo próprio Trump como um dos pilares de seu governo. Como forma de mostrar a força de sua administração no campo econômico e demonstrar como seu passado no mundo dos negócios pode auxiliar nesse quesito, ele reuniu um conselho com 20 CEOs de grandes empresas americanas. Além da Tesla, fazem parte presidentes de grandes nomes como IBM, PepsiCo, GM, Walmart e Boeing, entre outros.

O empreendedor também não é o único nome da tecnologia fazendo pressão. Tim Cook, CEO da Apple, também entrou em contato com Trump para pedir que ele não abandone o Acordo de Paris. Ao lado de Microsoft, Google e Amazon, além de outras empresas que fazem parte do conselho, a Maçã é signatária de uma carta na qual todas se comprometem a manterem as metas de desenvolvimento sustentável mesmo com a possível retirada.

Enquanto isso, no final de semana, os membros do G7 mostraram o interesse de aplicar as metas do acordo o mais rapidamente possível, com exceção dos EUA, é claro. A atitude é vista como mais um grave sinal do isolamento de Trump, que muitos afirmam agir de forma unilateral e protecionista.

Fontes: Elon Musk (Twitter), France 24