Educação e produção de patentes desafiam inovação no Brasil, revela pesquisa

Por Rafael Romer | 08.12.2016 às 14:47

A dificuldade na produção de patentes e o baixo nível educacional da população brasileira continuam sendo as principais barreiras para a inovação tecnológica no país, revelou a nova edição do Índice de Inovação da Sociedade (Quisi), divulgado nesta semana pela Qualcomm e produzido em parceria com a empresa de análise de mercado IDC.

Em seu terceiro ano, a pesquisa analisa índices de adoção tecnológica em quatro diferentes pilares nos países estudados – fundamentos de inovação, pessoas, governo e empresas –, atribuindo pontuações de acordo com o desempenho e nível de desenvolvimento de cada um dos elementos.

Para o levantamento, foram realizadas entrevistas com representantes de startups, setor acadêmico, pequenas, médias e grandes empresas, representantes do setor governamental e 1.070 usuários de smartphones entre 18 e 60, das classes A e B, em cada um dos países avaliados.

Em relação a última edição do relatório, o Brasil apresentou melhoras nos quatro pilares analisados, totalizando 15,67 pontos em 2016, contra os 14,77 observados no ano passado. Ainda assim, o país permanece longe da liderança do ranking dos cinco latino-americanos avaliados pelo índice, atrás da Argentina (17,23) e México (16,51), mas à frente da Colômbia (15,05) e Peru (14,15). Na liderança do índice, estão Singapura (34,72), Suíça (28,21), Estados Unidos (27,71), Reino Unido (27,61) e Israel (22,56).

"Estamos um pouco melhor porque o brasileiro neste ano abraçou a causa dos smartphones de quarta geração, que são mais avançados", comentou o presidente da Qualcomm Brasil, Rafael Steinhauser.

O levantamento aponta, por exemplo, que o brasileiro passou a comprar equipamentos melhores, com configurações mais robustas e vida útil mais longa. A prática colocou o patamar de troca de smartphones do país em 24 meses, em linha com mercados mais desenvolvidos e à frente de países como México (média de 20 meses) e Peru (18 meses).

Além disso, smartphones representam apenas 28,5% dos investimentos em TI no Brasil, o que mostra uma maturidade maior da adoção de tecnologia no país – semelhante a mercados como Singapura (22,1%) e Israel (23,3%). Em países como Argentina e Peru, smartphones representaram, respectivamente, 51,5% e 39% do total de investimentos de TI, revelando gastos muito centralizados nestes dispositivos e uma variedade menor de tecnologias sendo adotadas por estes mercados.

Educação e Patentes

Apesar dos resultados positivos, o levantamento revelou que a educação e dificuldade no registro de propriedade intelectual no Brasil ainda são apontados como os grandes gargalos para o mercado nacional de tecnologia.

Apesar de esforços do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), o tempo de espera para o registro de patentes no país pode ser superior a 10 anos, o que tem dificultado o ritmo de inovação por empresas no mercado nacional. De acordo com o relatório de patentes do World Intellectual Property Indicators (WIPO) de 2016, 29.2% das patentes brasileiras foram registradas fora do país, na tentativa de empresas de colocarem seus produtos em produção em menor tempo.

Em média, o Brasil possui uma patente para cada 144 engenheiros – nos Estados Unidos, a relação é de uma patente para cada oito. A própria Qualcomm, uma das empresas que mais registra patentes hoje no mundo, por exemplo, reconhece que sua última patente brasileira data de 2003.

Ao mesmo tempo, também preocupa os índices baixo de profissionais altamente qualificados no Brasil, responsáveis por grande parte do registro de patentes e inovação. Neste ano, estima-se que o Brasil alcance o total de 200 mil doutores diplomados, um montante que representa cerca de 0,1% da população.

"Isso representa um problema sério em termos de investimento em tecnologia no Brasil, mas também ao estímulo da inovação no país", avaliou Steinhauser.