É o fim: Microsoft abandona o mercado de smartphones para consumidores

Por Redação | 25.05.2016 às 10:25

Nos últimos meses, a Microsoft vinha dando pistas de que poderia abandonar de vez o mercado de smartphones. Apesar de não admitir isso publicamente, a empresa está mesmo caminhando para o fim de sua passagem pela indústria mobile com os dispositivos Nokia, já que, agora, a companhia anunciou uma reestruturação em sua divisão de celulares que vai resultar em sua saída do setor.

Em comunicado oficial, a gigante de Redmond revelou que vai demitir 1.850 funcionários ligados à divisão de hardware para celulares, dos quais 1.350 serão na Finlândia (onde fica a sede da Nokia) e outros 500 ao redor do mundo. A decisão vai gerar custos de US$ 950 milhões, sendo que US$ 22 milhões correspondem a pagamentos e direitos trabalhistas para os quase dois mil profissionais que deixarão a entidade.

"Estamos focando nossos esforços do mercado de telefonia nas áreas em que temos diferenciação - com empresas que valorizam segurança, gerenciamento e nosso recurso Continuum, e consumidores que valorizam essa capacidade. Vamos continuar inovando através dos dispositivo e dos nossos serviços de nuvem em todas as plataformas móveis", disse o CEO Satya Nadella.

Na semana passada, a Microsoft já dava indícios de que faria esse movimento para se desfazer por completo do negócio de smartphones da Nokia. No último dia 16 de maio, a companhia vendeu a divisão de feature phones da finlandesa à FIH Mobile LTD, uma subsidiária da Foxconn, pelo equivalente a US$ 350 milhões. O acordo prevê a transferência de 4.500 funcionários da Nokia para a FIH e ainda inclui a entrega dos direitos de uso da marca Nokia, software dos aparelhos, serviços e outros contratos.

O Re/Code publicou um memorando interno da Microsoft em que Terry Myerson, vice-presidente executivo de Windows e dispositivos, afirma que continuará trabalhando em novidades para o mobile. Contudo, ele não indicou quais seriam esses produtos, nem se algum deles envolve smartphones.

Fim da marca Lumia: alguma novidade?

Talvez esta notícia não surpreenda a todos, uma vez que a Microsoft não foi bem-sucedida na missão de popularizar a linha Lumia desde que adquiriu a Nokia há três anos. De lá para cá, na verdade, a participação do Windows Phone - agora Windows 10 Mobile -, equipado em sua maioria nos dispositivos Lumia, só caiu diante do crescimento de seus principais concorrentes, o Android e o iOS.

Para efeito de comparação, o sistema operacional móvel da Microsoft está presente em menos de 1% dos telefones inteligentes no mundo, segundo dados recentes do Gartner. Há um ano, a porcentagem também era mínima: de apenas 2,5%. Em contrapartida, o software do Google, a plataforma móvel mais usada no planeta, chegou a 84,1% dos smartphones vendidos nos três primeiros meses de 2016 (contra 78% em 2015).

Lumia 1020

No entanto, como destaca Ingrid Lunden, do site TechCrunch, o que chama atenção é o fato da Microsoft estar abandonando por completo o negócio de celulares, inclusive aqueles voltados para o mercado corporativo. Desde que assumiu o cargo de presidente da empresa, Nadella tem reforçado seu compromisso com o setor, e a ideia para o mundo mobile era criar uma plataforma integrada baseada no modelo de negócios da Apple com o iPhone.

Esse era o principal conceito pregado pela companhia logo após o anúncio da compra da Nokia por US$ 7,1 bilhões. Na época, inclusive, os 32.000 funcionários da finlandesa se juntaram à Microsoft para ajudar no desenvolvimento de novos Lumias. O resultado você já sabe: de nada adiantou, pois os telefones não conseguiram agradar todos os consumidores, limitando-se apenas ao mercado intermediário - que também não conquistou novos adeptos.

Já faz algum tempo que circulam rumores sobre a produção de um Surface Phone, este com um foco maior no mercado corporativo e para usuários que buscam opções topo de linha. Mas, agora, com a Microsoft se retirando por completo da criação de novas soluções mobile, é quase incerto que novos dispositivos móveis sejam lançados pela companhia.

Fonte: Microsoft via TechCrunch, Recode, Gizmodo