E-mails de Marcelo Odebrecht 'somem' dos servidores da empresa

Por Redação | 08.03.2016 às 16:17

Nesta terça-feira (8), o empreiteiro Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na Operação Lava Jato.

No entanto, um desdobramento tecnológico chamou a atenção durante o processo. Alessandro Tomazela, chefe de Tecnologia de Informação do Grupo Odebrecht, não cumpriu uma ordem judicial para entregar uma cópia de todos os e-mails relacionados à conta de "mbahia", utilizada por Marcelo Odebrecht, presidente da organização.

Tomazela alega que não encontrou os registros da conta do engenheiro investigado, mas nega que eles tenham sido apagados. Em seu depoimento, o chefe de TI do conglomerado disse que o backup de e-mails só é feito em contas com até 3 GB e que aquelas com mais de 10 GB não ficam armazenadas.

Os servidores que armazenam os dados da organização Odebrecht ficam no Panamá, mas Tomazela tem acesso remoto a eles. Como Marcelo Odebrecht se afastou da presidência do grupo em dezembro de 2015, o chefe de TI disse ainda que os dados de e-mails são automaticamente excluídos quando alguém se desliga da companhia "sem que o setor de recursos humanos notifique o setor de tecnologia", conforme relato.

O desaparecimento misterioso dos e-mails também atingiu as contas de Fernando Migliaccio e Hilberto Mascarenhas, executivos suspeitos de serem os operadores das offshores que fizeram pagamentos ao marqueteiro João Santana e a executivos da Petrobras em contas secretas na Suíça.

Fonte: Folha de S.Paulo