Donald Trump promete ajudar na recuperação da ZTE

Por Felipe Demartini | 14 de Maio de 2018 às 10h20
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Em uma declaração que surpreendeu muita gente, Donald Trump prometeu que vai ajudar a ZTE a se recuperar. A declaração foi feita por meio do Twitter e veio como mais uma demonstração de ponderação em relação a posturas anteriores, que levaram, inclusive, ao banimento comercial de produtos da marca em território americano e também à proibição de empresas norte-americanas na participação de negociações com a chinesa.

Na rede social, Trump disse estar trabalhando com o presidente da China, Xi Jinping, na busca por uma solução. O Departamento de Comércio dos EUA também já teria sido instruído a estudar o caso, de forma a garantir que a ZTE possa “retornar aos negócios” e para proteger os empregos no país asiático.

Foi uma declaração que chamou a atenção da imprensa internacional. Durante sua campanha para a presidência, e mesmo depois de ocupar o cargo, Trump sempre afirmou que os chineses estavam roubando trabalho dos americanos, criticando o processo de transferência da indústria para países asiáticos. Muitos especialistas já falavam até mesmo em uma possível guerra comercial com a China, principalmente depois que o banimento da ZTE foi anunciado.

Em uma investigação que data desde os últimos anos da era Obama, a fabricante é acusada de exportar tecnologia dos Estados Unidos para países como Irã e Coreia do Norte, quebrando acordos comerciais. Por decorrência disso, a empresa foi multada, em março de 2017, em US$ 1,19 bilhão, podendo continuar seus negócios no país com a condição de que os envolvidos nesse processo irregular fossem demitidos.

A ZTE concordou com os termos e anunciou a demissão de quatro executivos ligados ao caso. Porém, uma investigação posterior mostrou que outros 35 envolvidos na questão receberam promoções e bônus de final de ano, o que levou o governo americano a aplicar, em abril deste ano, um banimento de sete anos. Neste período, a companhia estaria proibida de vender seus produtos nos EUA, enquanto as companhias do país deveriam interromper todas os contratos e negociações com ela.

Desnecessário dizer que essa ação gerou mais problemas do que apenas a perda de um mercado. Ao ter o contato cortado com fornecedores de tecnologia e componentes importantes como semicondutores, a ZTE se viu em péssimos lençóis e, no começo de maio, anunciou que suspenderia suas operações de fabricação até que toda a questão fosse resolvida.

Essa notícia, é claro, acendeu um alerta vermelho nas relações já meio tumultuadas entre Estados Unidos e China. Após o anúncio feito pela ZTE, o vice-premier chinês Liu He afirmou que seu país interromperia todas as negociações comerciais com os americanos, o que inclui, inclusive, conversas relacionadas à exportação de tecnologia e componentes eletrônicos, até que as sanções consideradas “destrutivas” fossem revistas.

O ultimato teria vindo no final da última semana, quando a China teria colocado o fim do banimento à ZTE como pré-requisito para que novas negociações, de qualquer teor, acontecessem. Caso contrário, o risco de um afastamento ainda maior cresceria e, aqui, quem tem a perder não são apenas os asiáticos, mas também muitas companhias americanas de grande porte.

Como a declaração veio por meio do Twitter e durante o final de semana, mais detalhes ainda não foram revelados. Não se sabe, por exemplo, se o banimento à ZTE será revogado ou de que maneira os dois países trabalharão juntos para garantir que a empresa volte a operar da maneira adequada.

Enquanto isso, a declaração já vem gerando críticas da oposição. O democrata Adam Schiff, que faz parte de um comitê de inteligência do Congresso americano, afirmou, também pelo Twitter, que Trump deveria se preocupar mais com a segurança nacional do que com os empregos dos chineses. Ele lembrou relatórios governamentais que apontam aparelhos da ZTE e outras companhias do país asiático com possíveis portas de entrada para hackers, representando brechas na privacidade e proteção dos cidadãos dos EUA.

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