Dois alemães querem produzir no Brasil uma fachada que filtra poluição do ar

Por Redação | 07 de Junho de 2016 às 22h45
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Quem vive nas grandes cidades enfrenta diariamente problemas relacionados à poluição do ar. Pensando nisso, dois arquitetos de Berlim desenvolveram uma fachada inteligente para prédios que purifica o ar e ajuda a reduzir os níveis de gases do efeito estufa. E o melhor: a dupla quer trazer esse conceito para o Brasil.

Criada pelos arquitetos Allison Dring e Daniel Schwaag, a fachada Prosolve começou a ganhar destaque em 2008, quando seu protótipo foi exposto no pavilhão da Alemanha na Bienal de Arquitetura. Cinco anos depois, eles entregaram o primeiro grande projeto com esse sistema: uma fachada de 2,5 mil metros quadrados construída em frente a um hospital na Cidade do México. A ideia era melhorar a qualidade do ar em torno do local.

Funciona assim: o sistema Prosolve contém um revestimento feito de uma nanoestrutura de dióxido de titânio. Ao ser ativado pela luz solar, esse revestimento atua como um filtro, neutralizando óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis que entram em contato com sua superfície. O formato dos módulos auxilia na potencialização desse efeito.

A base atual desses módulos é composta de plástico, e seu preço pode variar com base no tamanho, taxas locais de importação e qualidade do material usado na fabricação dos módulos. Atualmente, os arquitetos estão desenvolvendo um material para tornar a Prosolve mais sustentável e auxiliar no combate aos impactos do aquecimento global.

Com o sucesso do projeto no México, apareceram interessados em levar a fachada para Brasil – inclusive os próprios arquitetos, que se disponibilizaram em implementar a novidade por aqui. Só que até agora isso não aconteceu, e o motivo não é novidade para ninguém: a longa parte burocrática do nosso país.

"Havia um grande interesse de construir uma fachada no Rio de Janeiro, mas, no decorrer das conversas, surgiu a dúvida se o material seria liberado pela alfândega e também quanto tempo duraria essa avaliação local, o que poderia gerar custos muito altos", destacou Schwaag. Segundo ele, a melhor maneira para tirar o projeto do papel no Brasil seria encontrar um parceiro local para produzir os módulos, já que, dessa forma, a construção da fachada poderia contribuir com a economia do país e gerar novos empregos.

Prosolve

Fachada inteligente foi construída em frente a um hospital na Cidade do México para amenizar poluição local. (Foto: BBC)

De acordo com Schwaag, a fachada poderia melhorar a qualidade do ar em bairros de grandes cidades brasileiras, ao serem instaladas em pontos onde há grande produção de poluição, por exemplo, próximo de grandes avenidas ou cruzamentos movimentados. Isso poderia ajudar na redução da poluição atmosférica, que chega a matar 3 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Made from Air

Além da Prosolve, Dring e Schwaag apresentaram no ano passado um protótipo do "Made from Air" ("Feita de Ar", em tradução livre), uma fachada feita com o HexChar, material de construção feito com uma tecnologia que retira carbono da atmosfera e produzido a partir de resíduos de biomassa.

Metade do HexChar é composto por carbono atmosférico, que é transformado em carvão. Para cada tonelada produzida desse material, uma tonelada de dióxido de carbono é prensada. Os arquitetos ainda trabalham no aperfeiçoamento do HexChar, que atualmente é usado apenas em fachadas. A ideia é desenvolver a tecnologia para a produção dos módulos da Prosolve, além de criar um material para ser utilizado na construção de casas completas.

No futuro, a dupla pretende produzir o HexChar onde essas fachadas e as futuras casas serão construídas. "Estamos procurando produtores de biomassa para fabricar localmente esse material, inclusive no Brasil", conta Schwaag.

Fonte: BBC