Diretor jurídico da Microsoft critica EUA por banimento da Huawei

Por Felipe Demartini | 09 de Setembro de 2019 às 13h13
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O diretor jurídico da Microsoft, Brad Smith, criticou o governo dos Estados Unidos pelo banimento imposto à Huawei. Em entrevista à Bloomberg, o Chief Legal Officer (CLO) que a companhia chinesa está sendo tratada de maneira “não-americana” e que ela não deveria ter sido colocada na lista negra sem provas legítimas e claras de que cometeu atos que ameacem a segurança nacional.

O executivo afirmou que a Microsoft entrou em contato com o Departamento de Justiça e outros órgãos do governo dos EUA em busca de explicações diretas para a suspensão, uma resposta que jamais veio. A empresa de Redmond, assim como Qualcomm, Intel, Google e tantas outras, estão proibidas de negociar com a Huawei e dezenas de suas subsidiárias desde maio deste ano, quando todas foram incluídas em uma “lista de entidades” da administração.

Smith não falou sobre os reflexos dessa decisão sobre os negócios da própria Microsoft, mas saiu em defesa da Huawei. De acordo com ele, a decisão do governo de Donald Trump coloca a existência de uma das maiores fabricantes de tecnologia e telecomunicações do mundo em risco por cortar o acesso dela a componentes e sistemas que são essenciais para seu funcionamento. “É como permitir que um hotel abra as portas, mas o proibir de ter camas nos quartos ou comida no restaurante”, completou o CLO.

Conta muito, claro, o fato de a Huawei ser uma grande parceira da Microsoft, principalmente no que toca projetos de conectividade, servidores e telecomunicações, em uma aliança que vem desde antes dos tempos de Windows Phone. Além disso, é claro, há de se citar a presença da chinesa como uma das principais OEMs na lista de clientes do Windows 10, outro negócio também colocado em xeque pelo banimento. Por isso, não é nada surpreendente que a empresa tenha vindo a público em defesa da colega; o que chama a atenção, na verdade, é que ela foi a primeira e, por enquanto, a única a se posicionar desta maneira.

Smith espera, ainda, um futuro negro para o mundo da tecnologia e prevê que mais imposições e restrições desse tipo vão acontecer, principalmente em campos como os da inteligência artificial e computação quântica. Ele espera mais dificuldades na exportação de iniciativas desse tipo e também na criação de parcerias entre universidades americanas e chinesas, caminhos que devem dificultar o avanço de pesquisas e dificultar a implementação de sistemas. A própria Microsoft tem um centro de desenvolvimento em Pequim e permanece vigilante quanto a possíveis decisões que possam dificultar os trabalhos por lá.

Em vez de banimentos, o CLO acredita que representantes políticos e departamentos do governo devem impor pressões à China em iniciativas de contraespionagem e criação de parâmetros básicos de segurança da informação que sejam aplicados a todos. A governança, completa, é o caminho para que estados e cidadãos se sintam seguros ao mesmo tempo em que o progresso tecnológico é promovido, em vez de coibido por proibições e medidas unilaterais que podem ser disruptivas aos negócios de todos os envolvidos.

Apesar de o banimento ter sido imposto originalmente em maio, a Huawei se encontra atualmente em seu segundo ciclo de extensão de 90 dias, para que parceiros comerciais e ela própria possam se adaptar à saída e novas proibições relacionadas aos negócios, de forma que o impacto seja o menor possível. Além disso, o governo dos Estados Unidos já disse que avaliaria casos específicos em que a chinesa seria autorizada a trabalhar com empresas americanas, desde que as iniciativas não envolvessem riscos à segurança nacional, mas nenhuma destas permissões foi dada até o momento.

Enquanto isso, a companhia asiática continua dando seus próprios pulos em tentativas de manter os negócios andando. Na IFA 2019, por exemplo, a empresa anunciou novos processadores e que o Huawei P40 pode ser seu primeiro modelo de smartphone a rodar o HarmonyOS, sistema operacional próprio que deve acabar substituindo o Android nos celulares da marca.

Fonte: Bloomberg

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