Devoção à Apple já se tornou um culto religioso, explica pesquisadora

Por Redação | 29 de Setembro de 2015 às 08h09

O lançamento do iPhone 6s e iPhone 6s Plus na última sexta-feira (25) trouxe de volta uma realidade que já estamos acostumados a ver todos os anos: basta a Apple trazer um novo produto para que os fãs façam enormes filas em frente às lojas para ter a novidade em mãos o quanto antes. E, se para muitos isso é apenas um fanatismo bobo, alguns especialistas veem nesse comportamento o mesmo padrão de qualquer outro culto religioso.

Pode parecer exagero, mas é exatamente o que pensa a professora da Universidade de Nova York, Erica Robles-Anderson. Ela é historiadora cultural e percebeu algumas similaridades entre essa devoção do público e o que vemos em muitas religiões mundo afora.

E o maior exemplo disso foi o entusiasmo das pessoas que esperavam o novo iPhone em frente à Apple Store em Manhattan. Fãs aguardavam ansiosos em frente ao símbolo da Maçã e muitos empunhavam ainda a biografia de Steve Jobs para deixar mais do que evidente sua paixão por aquilo tudo. Na verdade, não é preciso ser nenhum estudioso para fazer um paralelo com outras religiões, não é mesmo?

Apple

Para Robles-Anderson, esse tipo de coisa caracteriza de maneira óbvia essa paixão como um culto. E ela explica que a Apple sabe disso e usa essa ideia a cada lançamento de seus produtos, fazendo com que a comunidade se sinta parte daquilo, quase como se estivesse lutando contra algo.

O mesmo pode ser dito de suas lojas. A pesquisadora diz que as grandes e pesadas portas das Apple Store não fazem muito sentido em termos práticos, mas dão ao público a sensação de que aquilo tudo é importante. Em tese, é quase como pensar nas portas de uma catedral: aquela grandiosidade faz com que você se sinta pequeno. E, ao entrar no recinto, luzes e escadas conduzem você para algo acima.

Além disso, Robles-Anderson destaca a relação das pessoas nesses ambientes. Segundo ela, o ato de ver e ser visto por outros devotos faz parte dessa ideia do culto. E, como se não bastasse, o atendimento dos funcionários é voltado para ser algo pessoal, como se tudo ali girasse em torno do indivíduo.

Outro ponto que chama a atenção em sua comparação é o modo como ela enxerga os chamados Genius, funcionários das Apple Stores que demonstram a utilização de determinados dispositivos para grupos de consumidores. De acordo com a pesquisadora, esse é o típico padrão de qualquer líder religioso, como um padre ou pastor: é alguém que está ali para instruir e colocá-lo no caminho proposto pelo culto.

Tim Cook

Isso tudo parece forçado? Um pouco, mas não há como negar que alguns pontos levantados por ela fazem muito sentido. Essa ideia de que tudo o que a Apple faz é bom e que motiva muita gente a correr atrás de cada produto é algo que a gente está acostumado a ver. E não se trata apenas de não questionar se aquela novidade é boa ou não, mas de desconsiderar o resto em prol daquilo que a empresa oferece.

Como o site CNET relembrou, muita gente simplesmente descartou o Spotify no exato instante em que o Apple Music chegou — isso sem ter a mínima certeza se o serviço seria tão bom quanto. Como a pesquisadora destaca, a ideia de que "a Apple nos traz tudo aquilo que há de bom" já é um forte sinal de que essa paixão está caminhando mesmo para se tornar um culto.

E o curioso é que isso não se repete com outras empresas. Robles-Anderson cita o exemplo da Samsung, que tentou replicar esse efeito Apple no lançamento de seus produtos ao preparar o espaço para receber enormes filas, mas não conseguiu o efeito esperado. Para ela, a diferença está no fato de que a fabricante sul-coreana não entendeu a filosofia adotada pela rival de realmente abraçar o seu fã. Não se trata apenas de oferecer uma estrada diferenciada, mas de fazê-lo se sentir especial e parte daquilo como um todo.

Via: Atlas Obscura, CNET

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