Demissão em massa da Microsoft vai afetar o Brasil

Por Redação | 09.07.2015 às 08:56

Nesta quarta-feira (08), a Microsoft anunciou a demissão de 7,8 mil funcionários, a maioria deles da sua divisão de telefonia. A decisão pode ser vista como um reconhecimento de que a bilionária aquisição da divisão de celulares da Nokia foi um erro estratégico do então CEO da companhia Steve Ballmer.

Agora, o atual presidente-executivo Satya Nadella terá que "limpar a bagunça de Ballmer", como citou o analista Daniel Ives. O corte irá afetar mais de 6% da força de trabalho global da Microsoft e, combinado com as 18.000 demissões do ano passado (12,5 mil só da Nokia), a Microsoft acabará demitindo a maioria dos funcionários que se juntaram à empresa após a aquisição da finlandesa.

O jornal Yakima Herald, publicado em Washington (EUA), tentou contato com a Microsoft para saber mais a respeito do assunto, mas um porta-voz da empresa se recusou a comentar sobre os planos da companhia para outras instalações de produção adquiridas no negócio com a Nokia localizadas no Vietnã, México e Brasil.

Contudo, quando procurada pelo portal nacional G1, a assessoria de imprensa da Microsoft confirmou que as demissões vão afetar o país, mas não informou qual será o tamanho do corte de postos. Atualmente, a Microsoft afirma ter um total de 2,4 mil funcionários no Brasil.

O atual CEO da Microsoft, Satya Nadella, disse em um e-mail que faria uma rodada de perguntas e respostas na próxima quinta-feira (09) para esclarecer dúvidas sobre essa estratégia da empresa. Mais novidades sobre o assunto também devem ser divulgadas no dia 21 de julho, quando a companhia anuncia oficialmente seu resultado financeiro do trimestre.

Após a aquisição da divisão da Nokia, a Microsoft continuou perdendo participação no mercado de smartphones e não foi capaz de transformar o Windows Phone em uma alternativa atraente para os consumidores abandonarem seus dispositivos Android e iOS e correr para o seu ecossistema móvel.

Agora, a empresa está se preparando para o lançamento do esperado Windows 10, que será executado em uma ampla gama de dispositivos, incluindo smartphones, PCs, tablets e Xbox. Dentro da sua nova estratégia, a Microsoft não tentará mais manter uma divisão de negócios de telefonia móvel autônoma. Em vez disso, pretende criar um ecossistema para embarcar o Windows em distintas marcas de aparelhos.

Nesse momento difícil para a gigante dos softwares, devemos lembrar que até mesmo Bill Gates era contra a compra da Nokia. Originalmente, a aquisição da empresa finlandesa foi rejeitada por ser cara e complexa demais, envolvendo não apenas a inclusão de toda uma nova divisão às fileiras da Microsoft, como também o remanejamento de executivos-chave. Desde o início, porém, Steve Ballmer se mostrou a favor da compra, trabalhando exaustivamente para convencer a diretoria, que aparentemente estava certa.

Com informações do The Wall Street Journal, Yakima Herald e G1