Crise tem diminuído investimento de empresas estrangeiras em startups do Brasil

Por Redação | 02 de Agosto de 2016 às 18h59

A crise política e econômica enfrentada por milhões de brasileiros nos últimos meses não deve acabar tão cedo. E na opinião do investidor Patrick Sigrist, essa situação não tem contribuído para a criação de novas startups. Ao contrário: as que já existem sofrem para se manter num mercado que tem enxergado o Brasil de forma negativa.

Em entrevista ao InfoMoney, Sigrist, que tem grandes conexões com o Vale do Silício e é cofundador do aplicativo iFood, destacou que são muitos os fatores que contribuem para essa visão desagradável do país pelos olhos estrangeiros: desde a crise política do governo Dilma Rousseff, o processo de impeachment, a crise econômica, a Zika e até os Jogos Olímpicos do Rio, dos quais várias obras ou não ficaram prontas ou foram entregues inacabadas.

Para o executivo, o principal ponto que prejudica a imagem do país lá fora é a crise econômica e política, que consequentemente faz com que investidores de outras nações não invistam nas startups nacionais. "Com certeza a crise atrapalha. A instabilidade e incerteza assusta muito o investidor estrangeiro, que hoje ainda é muito importante no ciclo de investimentos das startups", disse. Ele também afirma que o mercado tem amadurecido de forma mais lenta, com poucas mudanças com relação ao semestre atual.

Ainda de acordo com Sigrist, não basta ter uma ideia genial ou inovadora: é preciso ter muito investimento, reuniões e rodadas com grandes companhias estrangeiras. Por este motivo, ele acredita que a situação não apresentará melhorias até que o país saia da crise, já que, se as coisas não ficarem estáveis, essas entidades param de investir no Brasil.

Por outro lado, Sigrist alega que a crise não é de todo um problema para o investidor brasileiro. Ele destaca que empreender é um negócio arriscado e que quem quer embarcar precisa entender os riscos que estão sendo tomados antes de pular de cabeça. "Olhando internamente, não vejo que [a crise] atrapalhe muito. As oportunidades nunca são óbvias, elas estão sempre casadas com grandes riscos, e isso faz parte do jogo", disse.

"Nestes momentos de crise e incerteza, aparecem boas oportunidades para quem tem este perfil. Acredito que o setor de health e fintech ganharam maior evidência na mídia. Estamos vivendo uma novela sem fim, temos que virar a página. Resolver a crise política, seja como for e começar a lidar com a crise econômica. Precisamos voltar a ter alguma credibilidade para voltarmos a atrair investimentos de fora", concluiu.

Fonte: InfoMoney

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