Covid-19 já prejudica entrega de peças eletrônicas no Brasil

Por Fidel Forato | 21 de Fevereiro de 2020 às 14h25

Chamado de Covid-19, o novo coronavírus continua a trazer prejuízos para empresas chinesas, mesmo após dois meses dos primeiros casos. Inclusive, grandes empresas da tecnologia que dependendo mercado asiático, como a Apple, já anunciaram que suas receitas serão menores que o esperado por conta do vírus. Agora, o sinal vermelho começa a tingir as indústrias brasileiras, especialmente de eletroeletrônicos, por conta dos componentes importados do país.

É o caso da Multilaser — fabricante de eletrônicos em Extrema, em Minas Gerais — que projeta uma redução de cerca de 17% no abastecimento de componentes importados, devido ao fechamento das fábricas chinesas em prática para conter a disseminação do surto. “Essa é a perda esperada até agora por causa do que já aconteceu”, comentou Alexandre Ostrowiecki, presidente executivo da companhia, para o Estadão.

Montadora da Motorola no Brasil já é uma das principais afetadas pelo surto do Covid-19 na China (Foto: Reprodução/PBKreviews) 

Segundo o executivo, esse cenário ainda pode se agravar, caso a produção chinesa não seja retomada em breve. Afinal, cerca de 450 fornecedores da companhia estão centrados na China. “A Multilaser está totalmente inserida no olho do furacão do coronavírus", explica Ostrowiecki sobre a gravidade da situação.

Por enquanto, os problemas da Multilaser podem ser contornados, porque a companhia funciona com estoque de seis meses, ou seja, o fornecimento de novos produtos para o comércio só deve ser impactado a partir de abril. “O quão grave isso vai ser depende de como a doença vai se desenvolver”, conclui.

Medidas de contenção

Outras empresas de tecnologia no Brasil têm tomado medidas para conter parte da produção e adotada férias coletivas para seus funcionários. Nesse sentido, o Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna, no interior de São Paulo, foi notificado sobre a dispensa temporária — até a regularização do fornecimento — para os empregados da Flextronics, empresa responsável pela produção dos celulares da Motorola no país. O anúncio foi emitido ainda na virada do mês, de janeiro para fevereiro.

De acordo com o sindicato, essa paralisação chega a afetar 80% das atividades da fábrica, o que equivale a mais de 1,5 mil funcionários em férias coletivas até 26 de fevereiro. Já a unidade da companhia Flextronics, em Sorocaba, também no interior de São Paulo, continua a operar normalmente.

Saiba mais sobre o surto do novo coronavírus da China:

“Basta não ter um componente para a linha ser interrompida”, esclarece José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, a associação dos fabricantes de eletroeletrônicos. Para dimensionar o problema, na área dos televisores, os componentes vindos da China representam 60% das peças na linha de montagem, o que fazem deles essenciais.

Diante dos riscos de uma possível falta de insumos, Nascimento afirma que a indústria brasileira tem poucas alternativas para manter o seu ritmo de produção, já que não é possível e nem simples mudar a lista completa de fornecedores em tão pouco tempo.

Fonte: Estadão

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