Como os Millennials moldam o local de trabalho – para melhor

Por Colaborador externo | 23.09.2016 às 06:17

Por Mariane Takahashi*

Se você atua no mercado de trabalho há mais de 15 anos, já deve ter percebido que o ambiente de um escritório, hoje, é muito diferente daquele onde você começou a trabalhar. Naquele ambiente de trabalho tradicional havia a proporção de um único funcionário por estação de trabalho. De acordo com a Agência de Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos, atualmente, essa proporção passou a ser de cinco ou até mesmo sete funcionários dividindo o mesmo espaço. Espaços compartilhados, home office e políticas de trabalho flexível costumavam ser situações que eram exceção à regra. Agora, ao que parece, essas situações converteram-se em regra.

Em parte, esta nova realidade se deve a uma questão de economia ou financeira. O custo com o mercado imobiliário é a segunda maior despesa para muitas organizações e muitos gestores de instalações que não podem se dar ao luxo de desperdiçar espaço. Mas, a tecnologia evoluiu muito e vem desempenhando um grande papel, especialmente no que se refere à mobilidade via smartphones e vídeo.

Nos anos 90, estações de trabalho compartilhadas (em inglês hoteling ou desk sharing) foram uma grande experiência em termos de economia de custos, mobiliário e espaço. Porém, isto fracassou devido à tecnologia da época requerer uma infraestrutura fixa e não móvel, o que gerou impacto até mesmo na produtividade. Hoje, a conectividade é onipresente e, com a disponibilidade de uma gama de dispositivos móveis, os funcionários realmente podem trabalhar em praticamente qualquer lugar.

Atualmente, o local de trabalho é em grande parte impulsionado pelos Millennials ou geração Y. Esta geração cresceu com a tecnologia, o que significa que sua expectativa é que a mobilidade esteja inserida nas suas condições de trabalho. Hoje a tecnologia não fica limitada a um local específico. Pense como era antes: Você assistia à TV com a família na sala de estar; os Millennials assistem aos programas de TV em serviços de streaming, como Netflix ou o norte-americano Hulu, e aos vídeos no YouTube a partir de seus smartphones onde quer que estejam. Você também já atendeu às ligações de seu aparelho de telefone fixado à parede na cozinha de sua casa. Os Millennials, por sua vez, não fazem chamadas telefônicas, eles digitam textos, sempre! Se você tinha uma lição de casa da escola, devia terminá-la até à noite para, na manhã do dia seguinte, ir para a aula com o exercício pronto. Nos dias de hoje, sabemos que em muitas escolas a prática é o estudante receber o exercício eletronicamente e devolvê-lo para o ambiente virtual ou portal da sala de aula, antes da meia-noite, independentemente do local, ou seja, não necessariamente da sua casa, você pode enviar de um restaurante, ou cafeteria, por exemplo.

Essa flexibilidade é uma expectativa que já vem com os Millennials para o ambiente de trabalho moderno. De fato, em pesquisa realizada pela Fidelity, a geração Y avalia esta questão como um fator-chave e motivador para aceitar uma posição de emprego, dando mais importância do que à questão salarial. Esta geração espera que a tecnologia assuma um papel relevante para ela no sentido de combinar cada vez mais a flexibilidade ao ambiente de trabalho moderno, incluindo o uso de vídeo colaboração para melhor direcionar a produtividade e o engajamento profissional.

Os Millennials são a imagem futura da força de trabalho, por isso devemos pensar, agora, na construção do local de trabalho do futuro. Algumas organizações globais são visionárias e já defendem uma política de trabalho flexível na qual especifica o lema "trabalhar de um lugar melhor" em vez de "trabalhar em casa", e investem para tornar o escritório ou outro espaço esse “lugar melhor”.

Pensemos agora nos diferentes tipos e formas de colaboração ou de trabalho que as pessoas realizam. Certas reuniões, por exemplo, são realizadas para brainstorming e criação de novas ideias. Em geral, isso envolve um pequeno grupo de pessoas, e o melhor lugar para esse tipo de trabalho é um ambiente flexível. Há outras ocasiões em que você precisa ficar sozinho com seus pensamentos e longe de distrações. Proporcionar aos funcionários uma variedade de espaços, a partir de uma mesa até espaços pequenos e confortáveis, provê a flexibilidade física de um ambiente, bem como a tecnologia complementará essa versatilidade no que se refere a desafiar a distância quando as pessoas não estão presencialmente no escritório.

À medida que as novas gerações ingressam na força de trabalho, as organizações devem adaptar a cultura e o ambiente de trabalho. Aqueles que não avançarem nessa direção serão deixados para trás. As tecnologias tais como a videoconferência, têm dado às organizações a oportunidade de proporcionar um equilíbrio mais competitivo entre trabalho e vida pessoal e, portanto, atrair melhores talentos jovens, independentemente de onde estão localizados.

O mundo dos negócios está evoluindo. É preciso estar pronto para agir.

* Mariane Takahashi, diretora de Marketing para América Latina e Caribe da Polycom