Como é ver o mundo com um olho biônico?

Por Redação | 10 de Agosto de 2015 às 08h05

Tentar entender como outra pessoa percebe o mundo não é uma tarefa fácil, especialmente quando falamos da visão. Contudo, pesquisadores estão trabalhando em simulações capazes de nos dar um vislumbre do que alguém como um implante de olho biônico pode ver quando abre suas pálpebras.

Uma equipe da Universidade de Washington conseguiu criar essas simulações a partir de dois tipos de recuperação da visão. "Esta é a primeira simulação de uma visão restaurada feira de forma realista. Agora nós podemos realmente dizer: 'Isto é o que o mundo parece quando você tem um implante na retina", disse Iona Fine, líder da equipe de pesquisas.

A cirurgia de restauração da visão não é barata e muito menos confortável. Isso porque ela funciona por meio do implante de próteses elétricas que estimulam as células sobreviventes do globo ocular com a ajuda de uma série de eletrodos colocados na retina, ou por meio da inserção de proteínas em células sobreviventes da retina para torná-las sensíveis à luz. Nenhuma delas produz uma visão sequer próxima do natural.

"A retina contém uma grande diversidade de células que carregam informações visuais e respondem de forma diferente a cada estímulo visual", explica Geoffrey Boynton, que também contribuiu para a pesquisa. "Estimular eletricamente a retina excita todas essas células ao mesmo tempo, o que é muito diferente da forma como essas células respondem a estímulos visuais reais".

Na prática, isso significa que pessoas com olho biônico tendem a ver formas difusas ou contornos borrados, sem contar que os objetos podem desaparecer completamente caso eles se movam muito rápido. Veja no vídeo abaixo uma amostra dessas simulações - à esquerda podemos ver a imagem real e nos dois quadros seguintes as visões de quem usa olho biônico:

A ideia é usar esses dispositivos de visualização para comparar vários dispositivos e os diferentes resultados de percepção de cada um. Apesar do caminho para a restauração completa da visão ainda ser impreciso, a nova tecnologia pode ajudar no desenvolvimento de modelos de próteses mais sofisticados do que os atuais. "Até fazermos isso, nós estamos apenas atirando no escuro na tentativa de melhorar esses implantes", finalizou a líder da equipe de pesquisas.

Fonte: TechRadar