Como a tecnologia impactará a força de trabalho até 2020?

Por Colaborador externo | 07 de Agosto de 2015 às 08h04
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Por Luis Banhara*

A tecnologia tem mudado significativamente a vida pessoal, a maneira de trabalhar e a interação das pessoas com os objetos e lugares. Essas modificações vão além das ferramentas ou dispositivos utilizados para facilitar as tarefas, já que criam novos valores e comportamentos e inspiram tendências que se tornarão padrões em um curto espaço de tempo.

Um estudo desenvolvido recentemente pela Citrix - o Citrix Landscape 2020 - aponta as principais tendências que irão modificar profundamente o trabalho até 2020, entre elas, o aumento do número de freelancers e do trabalho remoto.

O trabalho freelancer está em grande expansão no mundo. No Brasil, um levantamento do site Freelancer registrou crescimento de 17 mil usuários cadastrados em 2012 para 235 mil em 2015. Mundialmente, a empresa possui 15 milhões de profissionais cadastrados. Um dos motivos do aumento é a necessidade dos profissionais terem mais controle sobre o próprio tempo, poder escolher onde, como e para quem trabalhar e elevar os rendimentos ao atender várias empresas simultaneamente, principalmente os profissionais das gerações X e Y que sempre buscam novos desafios e são mais inclinados a usar o excesso de criatividade para montar seu próprio negócio.

Além da liberdade profissional, a facilidade para abrir uma empresa pelo programa MEI e a queda na oferta de empregos frente à situação econômica atual têm impulsionado o movimento de freelancers. Embora possa parecer controverso, esse aumento pode ser muito benéfico para a economia do País, pois incentiva o empreendedorismo e mantém o poder de compra de quem não possui um emprego tradicional, seja por falta de oportunidade ou por opção. As empresas são beneficiadas com a redução de encargos e mais agilidade e flexibilidade para contratar os talentos que desejam em qualquer lugar do mundo.

Do outro lado, está o trabalho remoto. Segundo o levantamento da Citrix, em 2020, metade da força de trabalho será remota e dentro dos padrões legais, como já vem ocorrendo no Reino Unido. A tecnologia permite que isso ocorra tranquilamente, desde que sejam implementados com todos os critérios de segurança. O estudo da Citrix também cita que, mundialmente, 43% dos trabalhadores gostariam de ter mais flexibilidade no trabalho e muitas grandes empresas já possuem políticas de home office. Esta opção é muito benéfica principalmente nas grandes cidades onde a locomoção é extremamente morosa e cansativa.

No Brasil, uma pesquisa da PwC em parceria com a FGV aponta que um dos maiores desejos dos empregados é ter formas alternativas para trabalhar, ao lado de melhores remunerações e programa de promoções por mérito. 64% das empresas entrevistadas desejam oferecer o trabalho remoto, mas não o fazem por receio de problemas legais. A lei 12.551/2011, assegura os mesmos direitos trabalhistas aos empregados que realizam o trabalho remoto. Entretanto, o temor das empresas está nos limites entre uso pessoal e profissional, como determinar se realmente houve trabalho extra e em caso de acidentes de trabalho.

Soluções de mobilidade corporativa podem ajudar neste processo, possibilitando o acesso seguro aos dados da empresa a partir de qualquer rede e dispositivo, além de possuir mecanismos de controle que permitam diferenciar o acesso de dados pessoais e profissionais de forma que os empregadores possam avaliar o tempo dedicado ao trabalho, definindo a existência ou não de horas extras.

Embora bastante revolucionária em alguns momentos, a evolução tecnológica é um processo sem retorno. Cabe aos profissionais e às empresas se adaptarem e aproveitarem os novos recursos e as mudanças de forma positiva. A maneira de utilizá-la determinará o retorno deste investimento.

*Luis Banhara é Diretor Geral da Citrix no Brasil.

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