Como a Internet das Coisas irá transformar suas finanças pessoais

Por Joyce Macedo | 28.07.2015 às 10:31

Uma pesquisa realizada recentemente apontou que quase metade das transações financeiras realizadas no Brasil já são feitas por meio de canais mobile e internet banking. Essa situação ilustra um pouco a atual penetração da tecnologia no setor bancário, mas isso é apenas o começo.

Especialistas dizem que a tecnologia está avançando a um ritmo tão rápido que a forma como gerimos o nosso dinheiro atualmente será irreconhecível em cerca de 10 anos. Já estamos aprendendo a conviver com tecnologias como biometria, reconhecimento facial e leitura da íris em alguns setores, mas pode ser que em breve tudo isso fique intimamente ligado às nossas finanças do dia a dia.

Se você ainda não ouviu falar sobre o termo "Internet das Coisas" (IoT, da sigla em inglês "Internet of Things"), que significa conectar itens usados no dia a dia à internet, saiba que esse é o futuro. A IoT pode ser um dos grandes nomes por trás dessa revolução na forma como lidamos com nosso dinheiro. Um bom exemplo de como a tecnologia já está nos ajudando no controle das finanças são os aplicativos de gerenciamento financeiro.

Essas plataformas nos permitem reunir informações sobre contas bancárias, cartões de crédito, poupança, empréstimos, seguros, benefícios e gastos em um só lugar. Muitos vêm com vários recursos para criar orçamentos semanais, mensais e anuais e mostram seus gastos em planilhas e gráficos para que você possa visualizar melhor para onde está indo seu dinheiro.

No Brasil, já existe uma opção de aplicativo que se conecta diretamente com a sua conta bancária para fornecer o controle direto, sem a necessidade de inserir todas as informações manualmente. Estamos falando do GuiaBolso, um serviço brasileiro que permite que o usuário insira os dados de agência e conta, bem como sua senha eletrônica.

Os dados são transmitidos por uma conexão segura e o aplicativo possui parceria com os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e HSBC para que as transações ocorram de maneira segura. Caso sua conta seja em outra instituição, é possível controlá-la manualmente, importando saldos e transações. Também é possível adicionar mais de uma conta de bancos diferentes.

O GuiaBolso oferece até mesmo uma área de planejamento, onde você insere todos os seus gastos previstos para os próximos meses e com essas informações o aplicativo ajuda a manter as metas, enviando notificações toda vez que há alguma atividade importante.

Especialistas apostam que, nos próximos 10 anos, haverá um enorme avanço nas tecnologias que alimentam esse tipo de plataforma. Toby Hughes, da YourWealth.co.uk, acredita que esses aplicativos agregadores poderão fazer coisas incríveis no futuro. "Se você está prestes a ficar com a conta negativa, a tecnologia irá lhe apresentar uma lista de opções de empréstimo de dinheiro, com informações sobre como cada opção irá afetar suas finanças globais", disse.

Carteiras digitais são apenas o começo

Já falamos aqui no Canaltech que o dinheiro físico está caminhando para se tornar uma peça de museu, enquanto as carteiras já estão migrando dos bolsos para os smartphones dos consumidores. O Google é uma das gigantes que já oferecem um serviço de carteira virtual há algum tempo, o Google Wallet, mas o recém-chegado Apple Pay, sistema de pagamento digital da Apple, é quem promete agitar significativamente o segmento. Ambos os serviços citados utilizam o NFC para realizar pagamentos apenas aproximando o dispositivo móvel do terminal, sem a necessidade de cartões.

Mas o uso do smartphone para realizar pagamentos já pode estar se tornando algo "ultrapassado". Especialistas em Internet das Coisas acreditam que outros dispositivos portáteis provenientes da onda de wearables poderão rastrear informações biométricas capazes de mostrar os níveis de ansiedade e estresse das pessoas. As empresas poderão usar isso para descobrir quando um cliente está em melhor posição para tomar boas decisões financeiras, por exemplo.

Já a solução mais fantástica está em desenvolvimento na Universidade da Califórnia. A ideia é criar um arco simples e de baixo custo que "amplia" sua capacidade cerebral, verificando os pensamentos do usuário, assim eliminando a necessidade de senhas para transações bancárias, por exemplo.

Mudança no mercado de seguros

Os avanços tecnológicos também podem mudar a forma como contratamos serviços de seguro. O seguro de saúde, por exemplo, poderia ser substituído por uma "garantia", por isso, em vez de contratar um seguro contra uma ampla gama de possíveis doenças, nós poderíamos realizar exames para detectar quais problemas de saúde exatamente estamos susceptíveis a enfrentar. Isso significa que você poderia contratar um serviço de seguro que cobrisse esses resultados.

Jay Sales, um estrategista de inovação especialista em cuidados de olhos, disse: "Nossos olhos podem nos dar uma enorme quantidade de informações sobre nossa saúde em geral. Doenças como a diabetes podem ser detectadas por meio de exames oculares anos antes de se desenvolver plenamente. Estamos caminhando para um mundo onde seus óculos irão realizar uma varredura diários dos olhos para medir sua saúde".

O seguro de automóveis também será adaptado com a ajuda de novas tecnologias. Atualmente, as seguradoras já utilizam "caixas pretas" para controlar a velocidade dos motoristas. No Brasil existe uma opção de seguro que permite programar a velocidade do seu veículo e, caso ela seja ultrapassada, o sistema envia um aviso via SMS. A ideia de gravar dados detalhados sobre a forma de condução de um veículo, tais como quantidade de viagens, hora do dia que o carro é usado e comportamento dos condutores, ajuda a estipular valores personalizados de seguro.

Especialistas dizem que dentro de 10 anos todos os motoristas serão obrigados a possuir tecnologias de rastreamento como essa. Isso significa que se você optar por um caminho mais perigoso ou ultrapassar o limite de velocidade permitido, por exemplo, terá um aumento no valor do seu seguro.