Comissão Europeia volta a acusar Google e aprofunda investigações de antitruste

Por Redação | 14.07.2016 às 11:11

A Comissão Europeia decidiu aprofundar as investigações contra o Google diante das alegações de abuso da posição dominante da empresa no mercado. De acordo com o órgão europeu, a companhia de tecnologia tem utilizado sua posição para "favorecer sistematicamente o seu serviço de comparação de preços nas páginas de resultados de pesquisa".

De acordo com comunicado emitido pela comissão sediada em Bruxelas, dois novos pedidos de esclarecimento foram enviados à norte-americana com relação às práticas de comparação de preços e publicidade que violam as regras comunitárias impostas na União Europeia. As investigações apontam que o Google estaria restringindo os anúncios de concorrentes, reforçando a conclusão preliminar de que a corporação está "restringindo artificialmente" a possibilidade de outras empresas concorrentes realizarem anúncios em sua plataforma.

Margrethe Vestager, comissária responsável pelas investigações, afirmou que o fato de o Google ter "criado muitos produtos inovadores que mudaram as nossas vidas" não lhe dá o direito de "negar às outras empresas a possibilidade de competir e inovar". Sobre a intensa investigação liderada pela comissão diante das práticas do Google na Europa, Vestager explicou que a obrigação do órgão é "atuar para proteger os consumidores e a concorrência leal nos mercados europeus".

Antes de tomar qualquer decisão a respeito, a Comissão Europeia irá esperar pelas declarações do Google, que tem 10 semanas para enviar suas respostas. Inicialmente, a gigante de tecnologia tinha até o dia 27 de julho para responder às acusações, mas, com a extensão do prazo, agora ela terá até o início de setembro para se explicar. As investigações contra a empresa começaram em abril de 2015 e, desde então, a Comissão Europeia tem colhido informações e supostas irregularidades que incluem, entre outras coisas, a exigência de que as fabricantes pré-instalassem o Google Chrome, o Google Search e outros aplicativos em smartphones com Android para prejudicar a concorrência.

Caso o Google seja considerado culpado das acusações, Bruxelas poderá multar a empresa em até US$ 7,4 bilhões ou em 10% de sua receita global em cada um dos casos antitruste. Em sua defesa, a empresa afirmou que acredita que suas inovações e desenvolvimento de novos produtos "aumentaram o poder de escolha dos consumidores europeus e promoveram a concorrência". O Google prometeu, ainda, analisar as alegações da Comissão Europeia e respondê-las em tempo hábil.

Fonte: Reuters