Com vendas em queda, evento desta quarta é crucial para a retomada do iPhone

Por Redação | 06 de Setembro de 2016 às 19h00

Há pouco tempo, o iPhone parecia ser imune a qualquer intempérie do mercado. Por quase uma década, o celular inteligente da Apple batia recordes de venda a cada relatório trimestral, porém, este não é mais o caso: agora, por dois trimestres seguidos houve uma queda na procura do produto na comparação ano a ano. É uma má notícia para a companhia, que faz mais da metade de seu dinheiro com o iPhone.

Na opinião de Alex Fitzpatrick, que escreveu uma análise para a Time, isso não significa que a companhia esteja em apuros. A gigante de Cupertino continua sendo a empresa mais valiosa do mundo em capitalização de mercado, tendo vendas de mais de US$ 40 bilhões trimestrais e lucros da ordem de US$ 10 bilhões no mesmo período.

Mas a situação do iPhone coloca uma grande pressão para Tim Cook, o atual executivo-chefe da Apple, e fazer uma apresentação surpreendente nesta quarta-feira (7), em que deve ser mostrada a próxima versão do iPhone, passa a ser crucial para a companhia voltar aos trilhos.

iPhone 7 preto

O suposto iPhone 7 pode ter um modelo com duas câmeras traseiras (Foto: Reprodução/BGR)

Muita ou pouca inovação?

O ciclo de lançamento do smartphone tem sido regular nos últimos anos: bienalmente acontece uma reformulação mais ampla, que é quando o aparelho muda de número, e apenas melhorias mais sutis se fazem dentro deste intervalo, geralmente ganhando o sufixo "S". Neste ano, em tese, viria uma atualização geral com mais inovações, mas há rumores de que o suposto iPhone 7 seja muito similar ao 6S, já que a Apple estaria guardando as novidades para o iPhone de 2017, quando o gadget comemora 10 anos desde o seu primeiro lançamento.

Uma das principais mudanças seria a retirada do conector tradicional de fone de ouvido para deixar o aparelho mais fino. Para os acessórios mais novos, a companhia deve usar o conector Lightning ou ir de Bluetooth (sem fio). E quem tem fones antigos deve torcer que a Apple ou parceiras lancem um adaptador.

Com as mudanças implementadas por operadoras como a Verizon e AT&T, os americanos estão menos propensos a trocar de celular a cada dois anos. Antes, as empresas vendiam os aparelhos com desconto, mas, agora, apenas parcelam. Assim, eles estão sentindo o peso do custo total de um smartphone pela primeira vez, o que fez o ciclo de uso do aparelho ficar maior e diminuiu as vendas. Para conter isso, a Apple introduziu seu próprio plano mensal, em que oferece, além de seguro contra danos, um iPhone novinho a cada ano.

Iphone 7

Será o fim do conector tradicional de fone de ouvido?

Concorrência

Enquanto a empresa cofundada por Steve Jobs desacelera, as rivais ganham corpo. É o caso da Samsung, embora esta tenha recebido um duro golpe com o recall do Galaxy Note7 e até a Apple esteja se aproveitando disso. Na China, onde a companhia costumava crescer a índices impressionantes, as vendas caíram 33%. Isso é resultado de três fatores: desaceleração da economia no país, câmbio desfavorável e o aparecimento de rivais de origem local, que oferecem melhor preço e qualidade muito superior aos antigos padrões "Made in China".

Com as vendas de iPhone caindo, Cook e outros executivos da Apple passaram a enfatizar para os acionistas o que eles chamam de serviços, que incluem streaming de música (Apple Music) e armazenamento na nuvem (iCloud). Esse setor cresceu 19% de um ano para outro, chegando a US$ 6 bilhões, no entanto, é um número modesto diante dos US$ 24 bilhões do iPhone. A meta da companhia é fazer os serviços atingirem, no ano que vem, o "tamanho de um empresa listada nas 100 maiores da Forbes".

Como qualquer companhia que esteja enfrentando dificuldades com seu produto principal, a Apple está investindo pesadamente em inovação. Os investimentos de pesquisa e desenvolvimento podem chegar a US$ 10 bilhões neste ano, segundo estimativas, o que representa um acréscimo de 30% sobre os valores de 2015. Parte deste dinheiro vai para as novas versões de seus produtos, como iPhones, iPads e Macs, mas os recentes investimentos da empresa em inteligência artificial e saúde sugerem que estas também são suas áreas de interesse, inclusive comercial. Fora os rumores do Apple Car, que nunca morrem.

Agora, resta ver o que a companhia de Cupertino vai aprontar no evento desta quarta-feira. O Canaltech vai trazer todas as novidades apresentadas por Tim Cook e sua turma. Acompanhe com a gente.

Fonte: Time

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