Com o fim da Lei do Bem, Foxconn já teria demitido 480 funcionários

Por Redação | 18.01.2016 às 16:09

Depois do governo anunciar o fim da desoneração de impostos sobre produtos eletrônicos, parece que a crise econômica começa a impactar a mão de obra responsável pela fabricação desses aparelhos. É o que sugere uma reportagem do Valor Econômico, que divulgou a notícia de que pelo menos 480 pessoas foram demitidas da fábrica da Foxconn em Indaiatuba, interior de São Paulo.

De acordo com a publicação, as demissões aconteceram por causa da queda na demanda, pois "faltam pedidos", segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, Sidalino Orsi Junior. Os profssionais que perderam suas vagas trabalhavam na linha de produção dos celulares da Sony. Outros 200 funcionários ficariam no emprego até junho, quando devem ser dispensados de suas funções.

O Valor ainda afirma que a Foxconn prevê que o aumento do tributo, que consequentemente causa uma diminuição no ritmo de produção, vai impactar diretamente cerca de 4.000 pessoas, que também devem ser demitidas nas indústrias do setor. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica prevê uma queda de 18% nas vendas de computadores, tablets e smartphones para este ano, que podem ficar até 60% mais caros ao longo dos próximos 12 meses.

A Foxconn era uma das dezenas de empresas que contavam com uma série de incentivos fiscais dos governos federal e estadual para manter sua operação no Brasil e ajudar a alavancar a inclusão digital, graças à fabricação de dispositivos eletrônicos no país. Recentemente, a Motorola também anunciou os primeiros impactos com o fim da Lei do Bem: alguns modelos de celulares da companhia americana já estão até R$ 500 mais caros.

A chamada Lei do Bem foi uma das medidas atingidas pela lei 13.241/2015, que suspende a isenção de PIS/Cofins na venda de smartphones, desktops, notebooks, tablets, roteadores e modems. O benefício estava previsto para acabar apenas em 2018, mas foi anulado agora no início de 2016 por conta da delicada situação econômica do Brasil. Além disso, a ideia era que a Lei retornasse de forma gradual a partir do ano que vem, mas isso também foi vetado pela presidenta Dilma Rousseff.

Fonte: Convergência Digital via Valor Econômico