Com Alphabet, Google quer mais flexibilidade para aquisições

Por Redação | 11.08.2015 às 12:00

Apesar de costumeiramente falarmos no Google como a “gigante das buscas”, já faz algum tempo que a companhia não pode ser definida exatamente como exclusivamente desse tipo, ou simplesmente de internet. Com negócios que vão desde o mundo mobile até os setores automotivos e de telecom, a empresa agora anuncia uma reorganização interna e a abertura da Alphabet, que vai servir como a cabeça de toda a organização e de seus esforços de investimento e aquisição.

Mas fique calmo, pois muito pouco vai mudar no seu dia-a-dia. A Alphabet é o que chamam, no mercado financeiro, de empresa “guarda-chuva”, uma companhia responsável por controlar outras. No caso do Google, ela vai servir para que os fundadores Larry Page e Sergey Brin, além de sua equipe de diretores e membros do conselho, possam realizar investimentos e compras com mais autonomia, sem necessariamente atrelar o nome da companhia original aos negócios ou causar estranheza quando o negócio, por exemplo, tiver a ver com um segmento completamente diferente da tecnologia.

É um movimento que vai dar mais autonomia para empreitadas como o Google Capital e o Google Ventures investirem em companhias de potencial. Foi uma visão desse tipo que, por exemplo, resultou na compra da Nest, uma fabricante de termostatos inteligentes que representa um dos grandes passos do Google no mundo da Internet das Coisas. Ela não foi incorporada à estrutura da gigante, mas passou a ser controlada por ela, mantendo seus escritórios, funcionários e gerenciamento.

Falando nisso, a expansão também garante que os diretores foquem mais naquilo que é de sua especialidade e não precisem mais lidar com assuntos e setores de mercado que não os competem. Assim, gera-se menos conflito com a visão central do Google, na mesma medida em que a empresa tem liberdade na contratação de gestores e pode criar mais e mais subsidiárias.

A recíproca também é verdadeira e a criação da Alphabet permite que o Google adquira empresas e as mantenha funcionando de forma realmente independente, sem precisar pensar na maneira que as incorporará a seus serviços atuais – o que permite até mesmo a continuidade de trabalhos ao lado de concorrentes. Do outro lado, as companhias compradas também podem seguir em frente com seus trabalhos, já que foram justamente elas que motivaram a negociação em primeiro lugar.

Apenas sorrisos

O mercado reagiu bem ao anúncio da criação da Alphabet, com as ações do Google apresentando alta de pouco mais de 5% no momento em que essa matéria é escrita. Investidores e analistas mostraram otimismo em relação à proposta, que foi citada como a transformação da gigante em um colosso ainda maior.

Alguns especialistas, inclusive, apontaram a semelhança da estratégia com a de Warren Buffett, um dos maiores investidores norte-americanos e dono da Berkshire Hathaway, uma holding multinacional que possui parte em grandes companhias como Kraft, Coca-Cola, American Express, Geico, IBM e tantas outras. Não é coincidência – Larry Page e Sergey Brin são fãs do magnata e, inclusive, já adotaram práticas semelhantes às dele no passado.

É justamente por isso que a Alphabet já começa a ser chamada informalmente no mercado como a “Berkshire Hathaway da internet”. Sua intenção principal, porém, está na metade inicial de seu nome. Mais do que um conglomerado de investimentos, a companhia recém-criada quer ser um Alpha – liderando setores e garantindo que o retorno seja maior que os investimentos feitos, outro significado para a palavra no dicionário do mercado financeiro.

Fontes: The Next Web, CNET