Cisco aposta em oportunidades fora das áreas de TI durante "espera" do mercado

Por Rafael Romer | 13.08.2015 às 08:52

Em um momento no qual o mercado nacional se encontra em período de "espera", a Cisco está apostando em negócios fora das áreas tradicionais de TI para continuar sua expansão no Brasil através de parceiros, afirmou o presidente da companhia no Brasil, Rodrigo Dienstmann.

"Existe uma contenção nas decisões de grandes projetos estruturais, mas mesmo nesse momento de 'stand-still' existem casos de parceiros que estão acelerando muito forte porque eles acharam a abordagem certa", explicou o executivo nesta quarta-feira (13), durante o Cisco Partner Forum, que reuniu canais, consultorias, integradores e outros parceiros da companhia para uma atualização do mercado. "E inventar mercados é falar com interlocutores com os quais você não falava, ou vender fora da área de TI".

A Cisco possui hoje um ecossistema de cerca de 3 mil parceiros no Brasil e é através deles que a organização faz grande parte de sua medição da "temperatura" dos negócios no país já que os parceiros estão em contato direto com clientes de uma série de diferentes áreas de atuação.

Segundo Dienstmann, mesmo com a crise, há oportunidade de venda de tecnologia para áreas fora das equipes tradicionais de TI. Hoje, a estimativa é que metade do orçamento de tecnologia das empresas já não está mais nas mãos das equipes de TI, mas sim nas mãos de divisões de negócios que têm um potencial grande de adoção de tecnologias para agregar valor às suas operações.

Um dos exemplos é o cenário atual dos quatro pilares de soluções que a Cisco oferece, cada um focado em um problema de negócio específico dos clientes. O primeiro pilar é focado na melhoria da experiência do consumidor final; em segundo lugar, estão tecnologias para melhorar a experiência e produtividade do funcionário do cliente; em terceiro, as melhorias para processos de negócio de clientes ligados ao ganho de eficiência; por fim, está a adoção de tecnologias para transformação da TI, que passa por atualização de sistemas e segurança.

Dos quatro pilares, hoje só o último é um tipo de investimento que se encontra nas mãos do CIO, além de ser o único do grupo que está estabilizado no país - enquanto os outros ainda possuem potencial de crescimento.

"O CIO já não tem mais capacidade para fazer a mediação completa, ele vai ser mais um consultor interno. As unidades de negócio já estão comprando fora", afirmou o executivo. "A gente tem simulado muito com os parceiros a capacidade deles terem essas conversas, sempre respeitando a opinião do CIO e o envolvendo, mas não necessariamente começar a conversa com ele".

No Brasil, o executivo cita o exemplo de recentes projetos de parceiros da Cisco na área de Internet das Coisas (IoT) ligados à logística e automação industrial como um dos principais potenciais do mercado. No setor de transporte público, um dos mercados em expansão é o de iniciativas de conectividade, como a implementação de Wi-Fi em ônibus de linha.

Outra vertical que continua ativa na rede de parceiros da companhia é a área de varejo. Apesar de estar em um momento ruim por causa da retração econômica, os investimentos continuam em tecnologias operacionais como forma de adereçar problemas como a competitividade e produtividade.