Cinco anos sem Jobs: Apple enfrenta futuro incerto, segundo analistas

Por Redação | 05 de Outubro de 2016 às 08h43
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Nesta quarta-feira, 5, completa-se mais um ano da morte de um dos maiores ícones da tecnologia: Steve Jobs, um dos fundadores da Apple. Ao longo dos últimos cinco anos, sua empresa continuou firme, crescendo e multiplicando seus lucros, desde o último ano do reinado de Jobs, que faleceu vítima de um câncer de pâncreas em 5 de outubro de 2011.

Do ponto de vista financeiro, a marca Apple não pode se queixar: seu lucro líquido atingiu US$ 53 bilhões no exercício encerrado no final de setembro de 2015, e seu volume de negócios foi de US$ 234 bilhões. Sua capitalização financeira, de pouco mais de US$ 600 bilhões, já não é igual à de 2015, quando estava alta, mas continua sendo mais do que o dobro do valor de 2011.

Os dados mostram que a Apple, que revolucionou a telefonia móvel com seu iPhone em 2007 continua sim sendo a número um, na frente da Alphabet, a empresa do Google, embora muita coisa tenha mudado.

Steve Jobs iPhone

(Em 2007, Steve Jobs apresentava o primeiro iPhone para o mundo)

Agora, a dúvida que paira no ar é sobre o futuro incerto da companhia. Pelo menos para alguns analistas de mercado, que se perguntam se a Maçã não está perdendo velocidade. “É muito difícil manter o ciclo de inovação, quando se desenvolveu um produto bem-sucedido”, comentou o analista Jack Gold, da J. Gold Associates. “Com cada nova criação que funciona, fica cada vez mais difícil. A pergunta que persiste é: ‘Qual será a próxima revolução?’. E não é óbvio dizer qual será”, acrescentou.

Vivek Wadhwa, professor da Universidade de Carnegie Mellon e ex-empresário no Vale do Silício, considera que a Apple vive de suas invenções passadas e não tem muita coisa nova para acrescentar. “Não vimos inovações consideráveis da Apple desde o final da era Jobs”, disse à agência de notícias francesa AFP. O último iPhone 7 “vendeu bem, mas continua sendo o mesmo aparelho”, destacou.

A Apple se desenvolveu em serviços como música e pagamentos móveis. Além disso, tem grandes ambições em realidade virtual e veículos autônomos. Mas, a maior parte de sua receita ainda vem do iPhone.“Se quisessem um automóvel Apple, deveria ter saído agora, para competir com o Tesla”, ainda na opinião de Wadhwa.

Gestão Cook

O atual CEO da Apple, Tim Cook, que assumiu o comando da empresa após a morte de seu principal líder, foi parabenizado por sua atuação na Maçã, mas ninguém vê nele as mesmas qualidades de seu ilustre antecessor.

“Tim Cook é um sujeito que se ocupa do operacional. É muito bom para obter uma rede de fornecedores para produzir coisas”, resumiu Jan Dawson, da Jackdaw Research. “Ele conhece suas limitações. Sabe que não é o apresentador mais carismático. Sabe que não é Steve Jobs”, completou.

O analista destacou que a Apple duplicou seus gastos em pequisa e desenvolvimento desde que Cook assumiu o cargo. “Mantém um certo nível de preços e uma experiência de alta qualidade, e isso não mudou entre Steve Jobs e Tim Cook”, avaliou.

Para ele, o sucesso da Apple não se deve ao fato de ter sido pioneiro em uma parte do mercado, mas à sua capacidade de melhorar e de aperfeiçoar produtos. “A Apple espera seu momento e, quando pode fazer uma contribuição importante para uma categoria (de produto), se lança e melhora a experiência”, afirmou. Dada a saturação do mercado dos e uma concorrência cada vez mais agressiva, é difícil determinar se a Apple estaria em uma posição diferente, caso Steve Jobs estivesse vivo, segundo o analista.

Na opinião de Vivek Wadhwa, Tim Cook deixou passar oportunidades de “reinventar” o grupo. “As pessoas demostraram muita paciência porque todos querem a Apple”, disse Vivek, que foi mais além: “Precisamos de um visionário louco para dirigir a empresa”, concluiu.

Fonte: Istoé

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