Cidade brasileira usa mosquitos geneticamente modificados para combater a dengue

Por Redação | 07 de Julho de 2015 às 11h30

Já que a população não está fazendo a sua parte, cabe à ciência tentar combater a dengue no Brasil. E, para isso, cientistas britânicos desenvolveram uma solução prática para acabar com a epidemia que assola o país todos os anos: um mosquito geneticamente modificado.

Pode parecer estranho imaginar um mosquito sendo a solução para acabar com a infestação de outro, mas a ideia é usar a espécie criada em laboratório para que ela acabe com o Aedes aegypti antes que ele comece a infectar as pessoas. A iniciativa já está sendo testada desde abril na cidade de Piracicaba, em São Paulo, onde mais de seis milhões de insetos foram liberados.

O segredo para essa combinação está exatamente na alteração genética feita pela empresa britânica Oxitec. Todos os mosquitos alterados são machos e, ao copularem com as fêmeas, liberam um tipo de componente que mata as larvas antes que elas consigam chegar à fase adulta, diminuindo a quantidade de transmissores da doença livres por aí.

Além disso, essas larvas também podem ser facilmente identificadas. Parte do material vindo do macho faz com que elas ganhem uma coloração avermelhada quando entram em contato com os raios ultravioleta, o que facilita a vida dos pesquisadores e agentes sanitários na hora de localizar e reconhecê-las.

De acordo com o CEO da Oxitec, o objetivo é exatamente reduzir a população nativa do mosquito para diminuir os casos de dengue no Brasil. Em entrevista ao site New Scientist, Hadyn Parry conta que a meta não é eliminar o Aedes aegypti por completo, mas torná-lo menos incidente ao cortar sua população em até 95% como uma forma de prevenção de novos surtos da doença.

Quer dizer, ao menos na teoria, uma vez que isso nunca foi comprovado e algumas variáveis ainda estão em aberto. Para Parry, essa hipótese ainda não foi confirmada, mas faz bastante sentido. Segundo ele, uma quantidade menor de mosquitos significa também menos transmissões. É matemática básica.

No entanto, as coisas não funcionam de maneira tão simples assim e uma pesquisadora da Universidade de São Paulo mostra que essa lógica pode ter grandes variações. Como lembra Margareth Capurro, é possível que tenhamos poucos mosquitos e que uma quantidade ainda menor esteja infectada, como a Oxitec supõe. Contudo, há também a possibilidade de que haja um grupo reduzido de Aedes aegypti em que todos eles estão com vírus da dengue. Nesse caso, reduzir a população pode não representar muita coisa no combate à doença.

Desse modo, a melhor maneira de enfrentar a dengue não está apenas em depender de alguns mosquitos mutantes, mas também fazer a sua parte. Assim, enquanto a ciência tenta combater o transmissor do seu jeito, a gente deve continuar com todos aqueles cuidados básicos em relação à água parada — afinal, prevenção nunca é exagero.

Via: New Scientist, Engadget

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