Chip Apple A10 do iPhone 7 pode trazer 6 núcleos. Será? (Parte 1)

Por Pedro Cipoli | 22 de Agosto de 2016 às 23h10

Rumores têm um comportamento errático. Algo muitas vezes dado como certo é completamente refutado algum tempo depois, e, em raras vezes, volta a ser dado como certo. Quer dizer, isso dependendo da fonte dos vazamentos, mas é algo que geralmente acontece nos primeiros estágios dos rumores. Exatamente por isso o fato de algumas fontes voltarem a dizer que o iPhone 7 e suas variantes podem trazer um chip de seis núcleos, pouco tempo antes do seu lançamento oficial, merece uma atenção especial.

Faz sentido usar um chip de seus núcleos em um smartphone? Se essa pergunta fosse formulada poucos anos atrás, muitos a tratariam com uma boa dose de ceticismo. Porém, já existem modelos de 8 ou mesmo 10 núcleos no mercado, em qualquer um dos casos trazendo um nível de complexidade interna que certamente surpreende mesmo atualmente. Isso para não dizer o restante das especificações, algumas dignas de notebooks pouca coisa mais antigos, como 6 GB de memória RAM e GPUs para ninguém botar defeito.

Sob o ponto de vista técnico, por que existe uma possibilidade de a Apple usar 6 núcleos? Será que faria sentido? Sim, faz.

Por que usar 6 núcleos?

Quem observa a indústria de PCs já percebeu que a margem para melhorar a eficiência single-core dos processadores está ficando cada vez menor. A evolução de geração para geração, considerando os modelos mais recentes, está em um estágio, digamos, pífio. E é exatamente por isso que nas duas últimas gerações da Intel Extreme Edition a empresa adicionou núcleos extras. De 6 núcleos em 2014, passamos para um máximo de 8 em 2015 até chegar em 10 neste ano, com o Intel Core i7-6950X.

Fabricantes recheiam seus processadores com recursos internos para melhorar a eficiência de cada núcleo individual. Este é o caso do Hyperthreading da Intel, que consegue processar duas instruções seguidas como se fossem uma (aliás, um comentário importante: alguns dizem que o Hyperthreading "simula dois núcleos". Bobagem: essa é apenas a forma como o sistema operacional interpreta o recurso). Fabricantes de chips para smartphones passam por um mesmo processo de melhoria, mas também estão chegando em um estágio de "investimentos exponenciais para retornos logarítmicos".

Apple A10

A dificuldade de melhorar a eficiência single-core dos processadores não é algo exclusivo às CPUs de PCs. Chips de smartphones estão passando pelo mesmo processo.

A solução? Aumentar a quantidade de núcleos. Sob uma perspectiva de economia de energia, chips multicore oferecem uma margem muito maior para economizar bateria, ainda mais se possuírem a capacidade de processamento assíncrono e de desligar cores individualmente (caso do CorePilot da Mediatek). Então, usar mais núcleos, como um chip hexa-core, por exemplo, pode ser uma maneira interessante de controlar melhor o consumo de energia, usando núcleos mais "fracos", sem que exista perda de desempenho.

Do outro lado da moeda, um chip com núcleos "fortes", que é o caso do Apple A9 e A9X, precisa de mais transistores para funcionar, principal ponto que os permite processar mais instruções por segundo mesmo em ciclos de operação mais baixos. Mesmo que conte com processamento assíncrono, só há margem para desligar um núcleo em um modelo dual-core, algo completamente diferente de um MT6753, por exemplo, que pode desligar até 7 núcleos, mantendo apenas um ligado em seus estágios mínimos (o "segredo" por trás da alta autonomia do Lenovo Vibe A7010, aliás).

Se considerarmos o aspecto técnico, sim, mas muito sentido usar um chip de 6 núcleos (ainda que dificilmente seja o caso, como veremos mais para frente). Segundo alguns rumores, é provável que o A10 continue a ser dual-core, sendo apenas 18% mais veloz do que o A9 em eficiência single-core. Compare isso aos 43% de melhoria do Apple A9 em relação ao A8 (isso somente em CPU, já que o ganho de GPU foi ainda maior), o que fica ao longo dos 70% anunciado pela Apple, algo nada desprezível.

Considerando isso tudo, um A10 com seis núcleos está longe de ser algo absurdo, então é possível que isso aconteça?

Possível? Sim.

Do lado de quem aponta um Apple A10 com seis núcleos, em especial os rumores mais antigos, isso é visto como uma possibilidade. Já do lado dos que apostam em uma nova geração dual-core, usar seis núcleos é visto como impossível. Apostamos mais no segundo lado, de fato, o que explicamos em mais detalhes na segunda parte desse artigo, mas é estranho ver seis núcleos como algo impossível. Detalhes sobre os núcleos, qual GPU será utilizada e até quanta memória RAM será utilizada ainda é algo bem nebuloso. Então, nessa altura do campeonato, tudo é possível.

Apple A10

Até quando a Apple conseguirá melhorar a sua eficiência single-core?

Provável é uma outra história. Agora, sim, é possível que o Apple A10 tenha seis núcleos, é claro. É possível também que a Apple comece a praticar preços mais dentro da realidade (em especial no Brasil), assim como é possível que o iPhone 7 introduza a Apple na "Era da realidade virtual", ainda que pouca coisa tenha sido falada sobre o assunto. É uma questão de maior ou menor grau de probabilidade, de forma que, considerando as informações que temos até o momento, seria errado dizer que rejeitamos completamente essa possibilidade.

Estamos em 2016, e a Apple tem trabalhado com chips dual-core desde 2011 com o iPhone 4s. De lá para cá, a empresa abandonou seus núcleos genéricos (à "época", o iPhone 4s era baseado no Cortex-A9, hoje um candidato a museu, segundo os padrões da tecnologia), aumentou a quantidade de memória RAM e foi progressivamente aumentando o clock de seus chips. Há um limite para isso. A CPU do A9X é exatamente a mesma do A9, variando apenas o clock (2,26 GHz contra 1,84 GHz). E, ao que tudo indica, o A10 terá o mesmo poder de CPU do A9X, o que mostra que continuar com dois núcleos está chegando à exaustão.

Apple A10

Mesmo sendo mais eficiente, o A10 obtém quase o mesmo resultado do A9X em eficiência single-core. Este, por sua vez, traz um ligeiro overclock em relação ao Apple A9.

Sim, o A9X traz o dobro de memória RAM em relação ao A9 e mais núcleos de GPU, algo necessário para compensar a enorme quantidade de pixels extras do iPad Pro. Mas, em relação à CPU, há pouca mudança. Considerando tudo isso, não podemos descartar a possibilidade de a Apple finalmente usar mais núcleos. Mas, como dissemos, considerar isso provável é algo completamente diferente, algo que vamos explorar em detalhes na segunda parte desse artigo. Já podemos adiantar o seguinte: tem pouca coisa a ver com razões técnicas, por assim dizer.

Com informações: Apple Insider, Phone Arena, Trusted Reviews

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