China vai proibir uso das Bitcoins e outras moedas digitais

Por Redação | 15 de Setembro de 2017 às 12h39

O desastre anunciado desde o início desta semana efetivamente aconteceu. Conforme vinham apontando rumores, especulações e atitudes de reguladores, a China vai mesmo proibir o uso de Bitcoins e todos os outros tipos de moedas digitais. A medida tem efeito imediato sobre novas operações, apesar de dar um tempo para que investidores, empreendedores e usuários possam encerrar suas atividades.

Um anúncio oficial por parte do governo ainda não veio, mas, na manhã desta sexta-feira (15), as casas de câmbio e outros serviços que trabalham com o criptodinheiro receberam uma notificação de que deveriam encerrar os cadastros de novos usuários até a meia noite. A ação realmente foi realizada, e, no momento em que esta reportagem é escrita, os principais bancos de Bitcoin do país não aceitavam mais registros.

Além disso, a informação é de que todas as operações com as moedas digitais devem ser finalizadas até o dia 31 de outubro. É um prazo curto, voltado para que empreendedores, investidores e até mesmo usuários finais que operam nesse mercado resgatem os valores pagos e encerrem suas atividades com o criptodinheiro.

Muitas das empresas do setor, entretanto, nem mesmo vão esperar até lá. A BTC China Exchange, maior câmbio de Bitcoins do país, anunciou que seus clientes têm até o dia 30 de setembro para realizarem as conversões necessárias antes do fechamento. De acordo com seus dirigentes, essa é uma decisão que vinha sendo avaliada desde o início do mês e que apenas se solidificou com o comunicado emitido pelas autoridades regulatórias chinesas.

Isso se deve ao fato de existirem confusões quanto às informações prestadas pelas diferentes companhias do setor. De acordo com a imprensa local, esse prazo seria ainda maior, com relatos chegando a afirmar que as operações com Bitcoins serão encerradas já em 1º de outubro. Os operadores desse mercado, ainda, teriam até a próxima quarta-feira (20) para apresentarem seus planos de retirada do mercado, que deverão ser seguidos à risca, sob pena de multas e sanções.

Todos que têm carteiras recheadas de Bitcoins devem permanecer em território chinês. A medida, além de evitar fraudes e fugas do país, também teria a ver com a regulação final que ainda está em curso, com tais agentes podendo ser convidados a depor ou revelarem informações ao Governo.

A notícia, claro, levou a mais uma queda no valor das moedas virtuais. Nas horas seguintes à divulgação das informações na China, o Bitcoin chegou a uma desvalorização de 18,5%, chegando a US$ 3.014, antes de se recuperarem levemente. No momento em que esta reportagem é escrita, a moeda opera com alta de 2,2%.

Apenas na última semana, a desvalorização é de mais de 20%. Pode parecer muito, mas ainda não existem tantos motivos para preocupação, uma vez que a alta acumulada em 2017 é de quase 400%, com direito a recorde histórico em julho, quando o valor da unidade de Bitcoin bateu US$ 4.950.

Negatividade

A negatividade da China com relação às Bitcoins e outras divisas digitais começou no início do mês, quando o país baniu as ofertas iniciais de moedas (ICOs). Em um método semelhante ao do mercado de ações, mas sem a mesma burocracia devido à falta de regulação, negócios interessados em operar no país realizavam vendas públicas do criptodinheiro, com a arrecadação sendo voltada para o financiamento de operações e abertura de negócios. A proibição estaria relacionada a indícios de fraude, golpes e uso desse tipo de operação em esquemas de pirâmide.

Além de banir essa modalidade de levantamento de capital, Pequim vai obrigar que todas as empresas que realizaram ICOs no passado devolvam os valores pagos pelas moedas a seus investidores. A medida gerou incertezas enormes devido à alta flutuação nos valores, além do fato de muitos dos trabalhos já estarem em andamento, com os montantes sendo utilizados para basear as operações.

A China responde, atualmente, por quase um quarto de todas as operações com moedas digitais registradas em todo o mundo. O país também é a casa de boa parte das fazendas de mineração de moedas, que se tornaram populares na ascensão dessas divisas antes mesmo de elas se tornarem uma possível forma reconhecida de investimento.

Fonte: Caixin

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